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“Não falei a palavra golpe”, diz Cid em nova gravação obtida por VEJA

Numa conversa registrada em 2024, o delator surge indignado com investigadores por causa do conteúdo de sua delação

Por Robson Bonin Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 29 jan 2025, 14h21 - Publicado em 29 jan 2025, 06h01

Em agosto de 2023, o tenente-coronel Mauro Cid decidiu fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal para confessar tudo o que viu e ouviu no período em que atuou como ajudante de ordens de Jair Bolsonaro no Planalto. Os relatos de Cid embasaram prisões e operações de busca e apreensão da Polícia Federal contra bolsonaristas. Em setembro do ano passado, VEJA mostrou um outro lado do delator. Fazendo uma espécie de jogo duplo, em conversas com pessoas próximas, Cid dizia que suas declarações na PF eram distorcidas para completar lacunas da investigação contra bolsonaristas. “Eles estão com a narrativa pronta. Eles não queriam saber a verdade, eles queriam só que eu confirmasse a narrativa deles”, diz Cid numa gravação.

Nesta semana, o Radar teve acesso a um novo áudio de Cid, registrado no primeiro semestre de 2024, em que ele amplia as críticas sobre a forma como suas confissões eram registradas pela Polícia Federal e vazadas para a imprensa. Novamente, Cid surge irritado ao constatar, segundo ele, que palavras foram atribuídas por investigadores a ele sem que tivessem sido ditas.

“Fala! Vou te dizer… Esse troço tá entalado, cara. Tá entalado. Você viu que o cara botou a palavra golpe, cara? Eu não falei uma vez a palavra golpe, eu não falei uma vez a palavra golpe! Então, quer dizer… Foi furo, foi erro, sei lá, acho até a condição psicológica que eu tava na hora ali (do depoimento). P… Eu não falei golpe uma vez. Não falei golpe uma vez”, diz Cid.

Não é possível apontar em qual depoimento de Cid teria ocorrido essa suposta inclusão da palavra “golpe” de modo indevido, mas sabe-se que o termo figura nos relatos de Cid, registrados pela PF, desde o início da colaboração. No fim de semana passado, a íntegra do primeiro interrogatório de Cid, narrando a participação de diferentes aliados de Bolsonaro nas discussões sobre um plano golpista, foi revelada pelo colunista Elio Gaspari.

Cid confirma, no conteúdo vazado ao jornalista, que Bolsonaro trabalhava com duas hipóteses para manter-se no poder naqueles derradeiros dias de 2022 — e lá está a palavra golpe: “A primeira seria encontrar uma fraude nas eleições e a outra, por meio do grupo radical, encontrar uma forma de convencer as Forças Armadas a aderir a um Golpe de Estado”, registra a transcrição da PF.

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A delação de Cid, com depoimentos e vídeos dos interrogatórios, segue, até hoje, em sigilo no gabinete do ministro Alexandre de Moraes, do STF. Quando os arquivos forem tornados públicos, será possível saber que lado de Cid falava a verdade: o delator, que colaborou para elucidar crimes e colocar ex-aliados radicais na prisão, ou o militar, aparentemente arrependido por entregar comparsas à Justiça. Vale lembrar que, durante as investigações, várias provas foram obtidas, incluindo-se aí importantes informações recuperadas em arquivos apagados de aparelhos do próprio Cid, comprovando detalhes da trama golpista delatada por ele.

Desde que se tornou delator, Cid envolveu-se em confusões e quase perdeu seu acordo de delação por causa desse jogo duplo. Ele foi preso novamente por Moraes por violar as medidas estabelecidas no acordo, quando suas conversas sobre a delação foram reveladas por VEJA. Em depoimento no STF, Cid disse que suas declarações, nessas conversas com pessoas próximas, eram um “desabafo” e negou que a PF tivesse adotado qualquer tipo de conduta irregular nas investigações.

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