Moraes mantém preso agente da PF que se infiltrou na equipe de Lula
Wladimir Soares é um dos 37 indiciados por participação em trama golpista

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu nesta segunda-feira, 27, o pedido da defesa do policial federal Wladimir Matos Soares e manteve sua prisão preventiva no âmbito do inquérito que investiga a atuação de uma organização criminosa na tentativa de golpe de estado e abolição violenta do estado democtárito de direito no país. Soares é descrito no documento como a pessoa que teria fornecido informações sensíveis ao grupo que planejava matar autoridades, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Preso desde 19 de novembro do ano passado, Soares é um dos 37 indiciados no relatório da Polícia Federal sobre a trama golpista, enviado ao Supremo no final do ano passado. Na lista constam nomes como o ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Braga Netto, além de militares de diversas patentes, entre outros.
Na mesma decisão, Moraes atendeu a uma manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e determinou a realização de exame médico-legal no policial, com o objetivo de verificar o seu estado de saúde e a indispensabilidade de um tratamento médico. O ministro solicitou ainda informações sobre a possibilidade de o custodiado ser tratado na própria unidade prisional ou no Hospital Penitenciário.
Agente duplo
Wladimir Soares é policial federal há 22 anos. Durante a transição do governo de Jair Bolsonaro para o de Lula, após a eleição de 2022, Soares trabalhou na segurança do Hotel Meliá, em Brasília, onde Lula e alguns integrantes do então futuro governo estavam hospedados.
Segundo o relatório, final da Polícia Federal sobre a trama golpista, Soares não apenas descumpriu seu dever funcional como atuou de forma efetiva no plano golpista. A corporação descreve que o policial federal utilizou sua posição estratégica para beneficiar a organização criminosa, e teve participação ativa no plano denominado Punhal Verde Amarelo, que previa sequestro e até assassinato de autoridades com o objetivo final de manter Bolsonaro e seus aliados no poder.
A PF relata que Soares monitorou e repassou dados sobre a localização, rota e até sobre a segurança de Lula, o vice Geraldo Alckmin e outras autoridades. Em uma mensagem interceptada pela PF em 12 de dezembro, dia em que centenas de bolsonaristas tentaram invadir a sede da Polícia Federal em Brasília, Soares teria descrito estratégias de segurança em curso, mencionando o posicionamento de agentes do Comando de Operações Táticas (COT) no entorno do hotel, entre outros detalhes sigilosos.
O relatório da PF foi encaminhado à PGR, que analisa se oferece ou não denúncia contra os indiciados.