‘Cavalo de Troia’, diz Christopher Nolan sobre a IA
Diretor americano é conhecido pela abordagem mais prática e contrária à tecnologia
O diretor americano Christopher Nolan, criador do sucesso mundial A Odisseia (2016), baseado na literatura homônima, não parece ver a inteligência artificial (IA) com bons olhos. Em entrevista à imprensa, ele declarou que a tecnologia é um tipo de “cavalo de Troia”, mas um em que as vítimas sabem que os gregos estão dentro dele, à espreita.
Em resposta ao jornalista e youtuber francês Hugo Travers, ou HugoDécrypte em seu canal do YouTube, o diretor explicou que vê a IA como um “cavalo de Troia que todos sabem que os gregos estão dentro”. “Um cavalo transparente, feito de vidro”, complementou. Nolan é crítico da tecnologia e vê com esperança o ceticismo que muitos demonstram com relação às ferramentas, em especial os jovens.
“Nunca vi uma tecnologia que avançou tão rápido e foi tão completamente rejeitada pelo público”, diz. “Todo mundo suspeita de forma extrema, especialmente os jovens. A reação aos vídeos de IA e pessoas da idade dos meus filhos imediatamente chamando isso de ‘AI slop’ e já colocando esse conteúdo dentro de uma caixinha”. Para ele, essa suspeita da tecnologia é saudável. “Os motivos das pessoas que nos deram essa tecnologia também devem ser vistos com um ceticismo. É isso que receberemos de uma nova tecnologia, além da fé cega de que tudo será perfeito”, finaliza o diretor.
Nolan atua como presidente do Sindicato dos Diretores da América e é reconhecido pela atuação “antitecnologia”. O blockbuster A Odisseia foi o primeiro filme a ser inteiramente gravado em câmeras e rolos de filme IMAX. Além disso, ele sempre se mostrou avesso a outras ferramentas, especialmente no meio do cinema, como os smartphones. Quando questionado pela imprensa americana se ele seria um “tecnofóbico”, ele respondeu que era um “tecnocético”. Para o diretor, o amor ao cinema vem do fato de que ele é “melhor para representar o jeito que os olhos veem o mundo do que qualquer outro sistema de imagem digital que eu já vi”.





