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O transtorno mental que pode aumentar o risco de acidentes de trânsito

Pesquisa da República Dominicana avaliou adultos hospitalizados após colisões e analisou padrões de comportamento no trânsito

Por Victória Ribeiro Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 Maio 2026, 12h00 | Atualizado em 22 Maio 2026, 10h52
O transtorno mental que pode aumentar o risco de acidentes de trânsito Priorizar nos meus resultados Google

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) pode estar passando despercebido entre vítimas de acidentes de trânsito. É o que sugere um estudo realizado na República Dominicana e apresentado durante uma reunião da Associação Americana de Psiquiatria.

A análise avaliou 95 adultos sem diagnóstico prévio de TDAH que estavam internados em um centro hospitalar de Santo Domingo após acidentes de trânsito. Os participantes responderam à Escala de Autoavaliação de TDAH para Adultos, utilizada para identificar sinais compatíveis com o transtorno.

Os pesquisadores também analisaram os comportamentos de risco ao volante por meio de um questionário que classificava as condutas em categorias como violações intencionais, infrações não intencionais, erros, deslizes e risco geral. Cada comportamento recebia uma pontuação em uma escala de três pontos.

Resultados

Segundo o levantamento, sinais compatíveis com TDAH foram identificados em mais de um terço dos adultos hospitalizados após acidentes. Entre os participantes, 34,7% tiveram resultado positivo na escala de triagem para o transtorno.

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O estudo também aponta que comportamentos considerados de alto risco ao dirigir foram 66,6% mais frequentes entre os pacientes com sinais de TDAH. Na prática, isso inclui atitudes como ultrapassagens perigosas, desrespeito às regras de trânsito e distrações ao volante.

Histórico de investigação

A possível relação entre TDAH e direção perigosa já vinha sendo investigada em pesquisas anteriores. Um estudo realizado nos Estados Unidos, publicado em 2023, identificou aumento de 102% no risco de multas de trânsito e de 74% no risco de acidentes entre motoristas com TDAH. Os participantes, porém, eram idosos, o que limita a comparação com a população geral e pode ter influenciado os resultados.

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Outra pesquisa, realizada em 2022 com simuladores de direção, observou taxas significativamente menores de acidentes entre pessoas com TDAH que iniciaram tratamento medicamentoso até três meses após o diagnóstico.

No estudo da República Dominicana, os adultos acidentados com resultado positivo para TDAH eram, em sua maioria, mais jovens, com média de idade entre 27,3 e 35,7 anos. Esse grupo também apresentava maior frequência de carteira de habilitação válida.

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Limitações do estudo

Apesar dos resultados chamarem atenção, os próprios pesquisadores destacam limitações importantes. A principal delas é que o número de participantes foi pequeno. Além disso, os comportamentos ao volante foram avaliados por autorrelato, o que pode gerar distorções nas respostas.

Outro ponto é que os pacientes com sinais de TDAH também eram mais jovens. Isso significa que fatores como menor experiência no trânsito e menos tempo de direção também podem ter influenciado os resultados.

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Ao jornal MedPage Today, a médica Amanda Abreu, da Universidade Iberoamericana em Santo Domingo, afirmou que o comportamento no trânsito também varia de acordo com o contexto cultural de cada país. Na República Dominicana, por exemplo, ela explicou que mulheres podem avançar o sinal vermelho em áreas consideradas perigosas durante a noite por questões de segurança. Pelo questionário utilizado no estudo, essa atitude poderia ser interpretada como impulsividade, embora nem sempre seja esse o caso.

“Há preconceito aí”, observou a médica. “É por isso que incentivamos o uso de ferramentas culturalmente sensíveis, para que possamos aplicá-las a diferentes contextos.”

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Outra limitação destacada por Abreu é que os participantes passaram apenas por uma ferramenta de triagem para TDAH. Nenhum deles foi submetido a uma avaliação clínica formal que confirmasse o diagnóstico do transtorno.

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