VEJA oferece aos leitores, nesta edição, três exemplos de reportagem de valor extraordinário. Na primeira delas, a revista traz uma pesquisa eleitoral inédita, realizada pela Ideia Big Data. O levantamento, que ouviu 2 036 eleitores em todo o país entre 20 e 23 de julho, mostra que o deputado Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo inexpressivo PSL, pode ter comprado seu passaporte para o segundo turno. Seu eleitor é majoritariamente masculino, jovem, escolarizado e de alta renda, características que o fazem menos suscetível a mudanças de opinião em razão do horário eleitoral gratuito. No desenho do momento, Bolsonaro nem precisa ganhar votos na campanha. Basta que não perca os que já tem.
Na segunda reportagem, escrita pela colunista Vilma Gryzinski, que tem vasta experiência em assuntos internacionais, são descritos pormenores da fascinante disputa travada entre os Estados Unidos e a China pela hegemonia mundial. A guerra pelo posto supremo de superpotência planetária, hoje ocupado pelos americanos, é um resultado direto do fenomenal crescimento econômico chinês — “o mais profundo e significativo evento dos últimos quarenta anos”, na definição exemplar de Abraham Denmark, especialista em assuntos asiáticos.
A terceira reportagem trata da dramática saga vivida por Sean Goldman, o menino cuja custódia chegou aos mais altos escalões da diplomacia americana e brasileira. O repórter João Batista Jr. esteve em Nova Jersey, onde encontrou o garoto e seu pai, e ali conseguiu a primeira entrevista concedida por Sean até hoje. A matéria mostra as cicatrizes deixadas em Sean, hoje com 18 anos, pela guerra em que foi envolvido. “Fui vítima de muitas mentiras”, diz ele, que tem uma vida pacata, cursa administração, acabou de desfazer um namoro e quase não consegue mais falar português.
Em conjunto, as três reportagens são uma expressão muito própria de VEJA. Formam um painel diverso — eleição, política internacional, drama humano — e são, ao mesmo tempo, um mergulho detalhado e consistente no tema que abordam. VEJA acredita que, além da credibilidade construída ao longo de quase cinco décadas, a profundidade do seu jornalismo é um dos principais atributos que a colocam acima da cacofonia da internet.
Publicado em VEJA de 1º de agosto de 2018, edição nº 2593