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Na ressaca do Pix, Lula reclama de ardil que o PT já usou contra adversários

Na campanha de 2006, presidente usou o histórico de privatizações do PSDB para acusar o então rival Alckmin de planejar a venda de Petrobras e Banco do Brasil

Por Daniel Pereira Atualizado em 27 jan 2025, 14h02 - Publicado em 27 jan 2025, 11h29

Numa reação à maior derrota política sofrida em seu atual mandato, o presidente Lula determinou à Advocacia-Geral da União (AGU) que tome providências judiciais contra os propagadores de fake news — aqueles que divulgaram a possibilidade de o governo criar um imposto sobre transações financeiras realizadas por meio do Pix. 

Já o novo ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, defendeu que o governo se empenhe na regulação e responsabilização das redes sociais em casos de discursos criminosos e inverídicos. “O Brasil é usado de cobaia pelas plataformas. Se não regularmos as redes, não teremos como nos defender”, costuma repetir Sidônio.

O passado condena

Combater a atividade criminosa é uma obrigação legal. Outra coisa, bem diferente, é definir o que é “inverídico” no debate político. Quando o escândalo do mensalão estourou em seu primeiro mandato, Lula convocou outro marqueteiro baiano, João Santana, para ajudá-lo a se livrar do risco de cassação e, depois, ser reeleito. Deu certo.

Santana criou a ideia de que o mensalão — um esquema de compra de apoio parlamentar com recursos públicos, conforme entendimento do STF — era uma conspiração das elites para derrubar o primeiro governo genuinamente popular da história do país. Ou seja: criou a exitosa estratégia do “nós”, o povo, contra “eles”, os seculares donos do país e do poder. 

Na campanha presidencial de 2006, também por sugestão de Santana, Lula insinuou que seu adversário no segundo turno, Geraldo Alckmin, hoje vice-presidente da República, privatizaria a Petrobras e o Banco do Brasil se ganhasse a disputa. O petista se aproveitou do fato de o PSDB, à época o partido de Alckmin, ter passado para a iniciativa privada uma série de estatais. Sua insinuação, portanto, não parecia tão despropositada.

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Em 2025, a oposição apenas repetiu o ardil de Lula ao pegar carona na série de tributos criados pelo ministro Fernando Haddad (Fazenda) para ventilar a hipótese de taxação do Pix. Ou seja: Lula se diz vítima de algo que o PT já fez — e mais de uma vez. Na campanha de 2014, o mesmo João Santana orientou Dilma Rousseff, candidata à reeleição, a atacar Marina Silva, adversária que avançava nas pesquisas.

Na época, a equipe de publicidade da presidente, aproveitando-se de apoios que Marina tinha no sistema financeiro, fez vídeos declarando que, se ela vencesse, os bancos enriqueceriam, enquanto a comida sumiria do prato dos brasileiros. “Pau que dá em Chico dá em Francisco”, ensina a sabedoria popular.

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