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Brasília em festa com o tropeço populista de Rui Costa

Acostumado a cobrar colegas de governo, ministro quase criou uma confusão ao falar em "intervenções" para conter o aumento do preço dos alimentos

Por Daniel Pereira 1 fev 2025, 10h28

Chefe da Casa Civil do presidente Lula, Rui Costa não é propriamente um político benquisto em Brasília. Em dois anos no cargo, ele colecionou desavenças com colegas de governo, semeou inimizades com parlamentares e construiu uma fama de pessoa difícil no trato. Na Esplanada dos Ministérios e no Congresso, costume-se dizer que ele é um trator e trabalha como se ainda fosse o todo-poderoso governador da Bahia.

Não foi à toa, portanto, que governistas comemoraram reservadamente o tropeço de Rui Costa ao citar a possibilidade de “intervenções” para conter a escalada dos preços dos alimentos. Como em administrações anteriores do PT houve tentativas de baixar na marra valores de tarifas e produtos específicos, com resultados desastrosos para o país, a declaração repercutiu mal.

Tão mal que obrigou Rui Costa a emendar o soneto numa tentativa de afastar o temor de que o governo adotaria medidas artificiais ou populistas. “Nenhuma medida heterodoxa será adotada. Não haverá congelamento, tabelamento, subsídio, fiscalização, rede estatal de supermercados. Isso nunca foi apresentado e não será analisado pelo governo”, escreveu o ministro numa rede social

Contenção de danos

Após a desastrosa declaração inicial do ministro, foi deflagrada uma operação de contenção de danos. “A melhor solução para o preço dos alimentos é a estabilidade econômica. Não se pode pensar em inventar a roda. Medidas artificiais geram ruído”, afirmou a VEJA o líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). “Intervenção e economia são duas palavras que no Brasil não podem ser conjugadas na mesma frase. Deveria até existir um tipo penal para quem fizesse isso” acrescentou.

Em entrevista coletiva na quinta-feira, 30, Lula reforçou o coro: “Eu não tomarei nenhuma medida daquelas que são bravata. Não farei cota, não colocarei helicóptero para viajar para fazenda e prender boi, como foi no tempo do Plano Cruzado. Não vou estabelecer nada que possa significar o surgimento de mercado paralelo”. Por enquanto,  a equipe do presidente conta com a desvalorização do dólar e a supersafra agrícola brasileira como principais armas para garantir alimentos mais baratos no supermercado.

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Rosário de queixas

Até aqui blindado pelo presidente, Rui Costa é apontado por muitos governistas como responsável pela falta de coordenação e lentidão na execução de projetos. Assessores do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, creditam ao chefe da Casa Civil a demora para tirar do papel a PEC da Segurança Pública.

Em outra queda de braço, Rui Costa diverge da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre o formato da Autoridade Climática, que foi prometida pelo presidente na campanha, prometida novamente no ano passado, mas até agora continua engavetada. O maior duelo do chefe da Casa Civil se dá, no entanto, na área da política econômica.

Ele é um dos principais contestadores dos planos de ajuste fiscal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Ao lado de Lula, contribui para a crise de credibilidade enfrentada pelo governo, baseada, entre outras coisas, na suspeita de que não há compromisso com a responsabilidade fiscal e que, se for necessário, o presidente recorrerá a um receituário populista ou — como sugeriu o próprio Costa — intervencionista para sair das cordas.

Com popularidade em baixa, o presidente deve fazer em breve uma reforma ministerial. O cargo de Rui Costa não está ameaçado, mas até petistas estrelados alegam que, se o ministro não mudar de postura, não se dedicar mais às conversas com políticos e não reduzir o ímpeto para a disputa interna de poder, a gestão petista terá dificuldade para superar os problemas que enfrenta.

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