Autoridades da região de Washington acionaram pelo menos 340 soldados da Guarda Nacional dos Estados Unidos para proteger a capital do país durante uma manifestação a favor do presidente Donald Trump, marcada para a próxima quarta-feira, 6. O ato organizado por grupos de extrema direita pretende contestar a confirmação no Congresso dos votos do Colégio Eleitoral, que deram ao democrata Joe Biden a vitória nas eleições de novembro.
Segundo estimativa dos grupos organizadores, cerca de 15 mil pessoas devem reunir-se no centro de Washington, D. C., durante a sessão do Congresso. Diversos grupos leais a Trump convocaram seus seguidores, inclusive milícias de extrema direita como o Three Percent, os Oath Keepers, e os Proud Boys , que organizam caravanas saindo de várias cidades do país. Durante um debate eleitoral, Trump inclusive recusou-se a condenar os grupos.
Manifestantes estão proibidos de levar armas de fogo, já que o porte é proibido na capital americana. Contudo, o grupo TheDonaldWin, por exemplo, usou seu site para incentivar os participantes a irem armados.
O grupo Million MAGA March também afirmou ser o organizador do protesto, que chama de “maior ato político de Trump na história americana”. Mas todos têm o mesmo mote, sintetizado em uma postagem no site “March for Trump” (“Passeata por Trump”): segundo apoiadores do republicano, “cabe ao povo americano” impedir a fraude eleitoral.
“Juntamente com o presidente Trump, faremos o que for necessário para assegurar a integridade desta eleição para o bem da nação”, afirma o texto.
A prefeita Muriel Bowser, do Partido Democrata, disse que considera decretar um toque de recolher obrigatório em Washington, D.C. depois que o chefe da Polícia Metropolitana, Robert Contee, confirmou ter recebido informações sobre indivíduos que tentarão entrar na capital com armas.
Contee acrescentou que as autoridades esperam uma multidão maior do que a que compareceu às anteriores manifestações pró-Trump na cidade, que terminaram em violência.
Milhares de simpatizantes do presidente ocuparam as ruas da cidade em meados de dezembro, muitos usando roupas de guerra, incluindo coletes e acessórios. Ao menos quatro pessoas foram esfaqueadas perto de um bar, que depois tornou-se ponto de encontro para os membros do Proud Boys.
O líder dos Proud Boys, Enrique Tarrio, usou uma rede social paralela chamada Parler para avisar que os integrantes do grupo “irão para a rua em números sem precedentes, mas desta vez com uma diferença”.
“Não usaremos os nossos tradicionais uniformes pretos e amarelos. Estaremos à paisana e espalhados por todo o centro de Washington D. C., em pelotões menores”, prometeu.
Tarrio, contudo, não participará do protesto, pois foi preso nesta terça-feira, 5, por destruição de propriedade e crime envolvendo arma de fogo. Ele admitiu ter participado da queima de um banner do movimento Black Lives Matter (“Vidas Negras Importam”), arrancado de uma igreja negra histórica durante um ato pró-Trump no dia 12 de dezembro, investigado pelo FBI como crime de ódio.
A polícia de Washington disse que Tarrio também foi acusado de porte de dois carregadores de munição de alta capacidade, que estavam com ele quando foi preso. O porte de carregadores que armazenam mais de dez balas cada um é proibido na cidade.
Menos de três semanas antes de Biden tomar posse como presidente, Donald Trump continua encorajando seus partidários a contestarem os resultados da eleição. Depois de ter perdido processos na Justiça em que alegava fraude nos votos, ele chegou a pressionar a autoridade eleitoral do estado da Geórgia para “encontrar” os votos necessários para negar a vitória do democrata.
Em sua conta no Twitter, Trump insistiu que é “estatisticamente impossível” que tenha perdido as eleições presidenciais, usando a plataforma para convocar seus apoiadores para o protesto em Washington, D.C.
“Grande protesto em D. C. no dia 6 de janeiro. Esteja lá, vai ser selvagem”, publicou o presidente no último fim de semana.
O Departamento de Justiça e autoridades eleitorais dos 50 estados – incluindo aqueles governados por republicanos – já constataram que não há provas de fraude eleitoral generalizada e reconheceram os resultados que deram a Biden mais de 80 milhões de votos, contra os 74 milhões obtidos por Trump.
(Com EFE)