Rei Charles levanta suspeitas de usar gravata para ‘indiretas’ na COP28
Reino Unido e Grécia vivem desentendimento por obras expostas no British Museum
Uma gravata e um lenço no bolso do paletó foram o suficiente para rei Charles III levantar suspeitas em sua aparição nesta sexta-feira, dia 1º, na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP28). Com formatos e cores da bandeira da Grécia, o conjunto foi escolhido dias depois do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, e seu homólogo grego, Kyriakos Mitsotakis, reacenderem uma disputa pelas esculturas do Partenon.
O monarca britânico tem ascendência grega por parte do pai, o príncipe Philip (1921-2021), que nasceu na ilha grega de Corfu. Trajado com o acessório sugestivo, Charles discursou no encontro sobre o clima em Dubai, nos Emirados Árabes, e também se encontrou com Sunak nos bastidores.
Uma fonte do Palácio de Buckingham disse à agência de notícias Reuters que Charles usou a mesma gravata na semana passada, antes da escalada do embate, em resposta aos rumores levantados pela mídia britânica de uma possível alfinetada. Um porta-voz de Sunak não quis comentar o episódio.
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Disputa por esculturas do Partenon
A disputa remonta a 1806, quando um lorde inglês removeu as obras de arte de 2.500 anos do templo do Partenon, na Grécia. Hoje, as figuras estão em exposição no British Museum, mas seu país de origem demanda uma devolução há anos.
O premiê britânico acirrou as tensões diplomáticas entre Londres e Atenas nesta semana, primeiro ao desmarcar uma reunião com Mitsotakis, e depois ao acusar o líder grego de “arrogância”. O cancelamento da reunião que estava marcada para terça-feira, 28, levou Mitsotakis a dizer que Sunak queria evitar discutir o destino das estátuas do Partenon.
“Expresso o meu aborrecimento pelo fato de o primeiro-ministro britânico ter cancelado a nossa reunião planejada poucas horas antes da data prevista para a sua realização”, disse Mitsotakis em comunicado.
“As posições da Grécia sobre a questão das esculturas do Partenon são bem conhecidas. Esperava ter a oportunidade de discuti-los com o meu homólogo britânico. Quem acredita na retidão e justiça de suas posições nunca tem medo de enfrentar argumentos”, afirmou.