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Líbano, Israel e EUA assinam base de acordo para processo de paz

Objetivo do documento é encerrar combates entre forças israelenses e o Hezbollah, que coloca em risco negociações com o Irã

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jun 2026, 15h27 | Atualizado em 26 jun 2026, 15h36
Líbano, Israel e EUA assinam base de acordo para processo de paz Priorizar nos meus resultados Google

O Secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou nesta sexta-feira, 26, que o Líbano, Israel e os Estados Unidos assinaram um acordo-quadro trilateral para iniciar um processo de paz e encerrar os combates entre as forças israelenses e o Hezbollah, milícia libanesa apoiada pelo Irã.

Autoridades libanesas iniciaram negociações diretas com Israel em Washington, em abril, e Rubio afirmou que o entendimento desta sexta veio após vários dias de discussões na capital americana.

“Temos o prazer de anunciar um acordo-quadro entre o governo soberano do Líbano e, naturalmente, o governo de Israel, com a mediação e o apoio dos Estados Unidos da América”, disse o chefe da diplomacia americana na cerimônia de assinatura, acrescentando que o documento “começa a estabelecer uma estrutura para uma paz e segurança duradouras”.

O entendimento foi concebido para, eventualmente, encerrar ocupação israelense do sul do Líbano e restaurar a integridade territorial do país, mas isso parece estar muito distante. “Israel manterá sua zona de segurança dentro das fronteiras da Linha Amarela no Líbano até o dia em que o Hezbollah e as outras organizações terroristas no Líbano forem desarmadas e não houver mais ameaça do Líbano ao território do Estado de Israel”, afirmou uma fonte do governo israelense ao site de notícias americano Axios.

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De acordo com o portal, o acordo-quadro descreve apenas um caminho para um futuro acordo de paz e inclui medidas imediatas que as partes tomarão nas linhas de combate. Uma delas é o lançamento de dois “projetos-piloto”, nos quais as forças armadas israelenses deixarão pequenas áreas do sul do Líbano, a serem ocupadas pelo Exército libanês em seguida.

Autoridades israelenses e americanas afirmaram que militares dos Estados Unidos trabalharão em conjunto com as forças libanesas nos “projetos-piloto”, principalmente para verificar se não há presença do Hezbollah. Fontes afirmaram ao Axios que uma das duas áreas às quais o acordo se refere fica ao norte do rio Litani e a outra ao sul.

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Cessar-fogo tenso

Uma trégua entre Israel e o Hezbollah, anunciada pelos Estados Unidos há duas semanas, havia sido “quase totalmente” respeitada por alguns dias, diferente de arranjos anteriores, que ficaram apenas no papel. Porém, o Exército israelense afirmou na terça-feira 23 que abriu fogo no sul do Líbano contra “terroristas armados”, um dia depois da primeira sessão de negociações na Suíça entre Washington e Teerã para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Por insistência do Irã, um acordo provisório assinado com os Estados Unidos na semana passada exige que Washington, Teerã e seus aliados imponham o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes de batalha, incluindo o Líbano.

Uma declaração conjunta emitida ao final das primeiras conversas entre os Estados Unidos e o Irã, mediadas pelo Paquistão e Catar na Suíça, afirmou que as partes concordaram em criar uma “célula de desconflito” para garantir o cumprimento do cessar-fogo no Líbano. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, porém, disse na segunda-feira 22 que os militares tinham total liberdade de ação para frustrar qualquer ameaça direta ou emergente do Hezbollah contra elas ou contra cidadãos israelenses, e que permaneceriam em território libanês “pelo tempo que fosse necessário”.

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Desde que o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã em 2 de março, os ataques de retaliação ao Líbano mataram 4.106 pessoas, incluindo 773 mulheres, crianças e profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde do país. O número de mortos não especifica quantos são combatentes do grupo armado.

Além disso, cerca de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas no Líbano.

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Do outro lado, o número de mortos em Israel devido aos ataques do Hezbollah inclui pelo menos 32 soldados e quatro civis.

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