Gaza diz que ataques israelenses mataram 70 após acordo de cessar-fogo
Netanyahu acusa Hamas de descumprir termos da trégua e adia ratificação do texto; grupo palestino diz estar comprometido

Ataques aéreos israelenses mataram pelo menos 70 pessoas em Gaza nesta quinta-feira, 16, segundo moradores e autoridades do enclave, horas após o anúncio de um acordo de cessar-fogo para interromper as hostilidades entre Israel e o Hamas.
A trégua, que deve começar no domingo, 19, tem duração inicial de seis semanas e verá a retirada gradual das forças israelenses da Faixa de Gaza. Os 98 reféns mantidos pelo grupo terrorista palestino Hamas, que controla o enclave, serão libertados em troca de dezenas de palestinos presos em Israel.
O aceite do acordo só se tornará oficial quando o gabinete de segurança e o governo israelenses o ratificarem. Uma votação marcada para esta quinta-feira, às 11h, no horário local (6h em Brasília), foi adiada após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, acusar o Hamas de tentar obter “concessões de última hora” em alguns aspectos do acordo.
“O Hamas renega partes do acordo alcançado com os mediadores e Israel em um esforço para extorquir concessões de última hora. O gabinete israelense não se reunirá até que os mediadores notifiquem Israel de que o Hamas aceitou todos os elementos do acordo”, disse um comunicado.
Não está claro qual impacto o último atraso terá no acordo.
Izzat el-Reshiq, um alto funcionário do Hamas, por sua vez, disse que o grupo está comprometido com o acordo de cessar-fogo anunciado pelos mediadores na quarta-feira.
A disputa ocorre enquanto os membros mais linha-dura da coalizão de extrema direita que sustenta Netanyahu ainda esperam barrar o acordo, contrários ao fim da guerra em Gaza, embora a maioria dos ministros deva apoiá-lo. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, disse que sua legenda, o Partido Sionista Religioso, só permaneceria no governo se Israel retomasse a guerra com força total até que o Hamas fosse derrotado. O ministro da Segurança, Itamar Ben-Gvir, também ameaçou deixar a coalizão se o cessar-fogo for aprovado.
Novos ataques
Enquanto as populações de Gaza e Israel saíam às ruas para comemorar o anúncio da trégua, militares israelenses realizaram mais ataques, segundo o serviço de emergência civil e moradores do enclave.
Mahmoud Basal, porta-voz do Serviço de Emergência Civil Palestino, disse em um comunicado que 71 palestinos foram mortos e pelo menos 200 outros ficaram feridos. Um porta-voz do Exército israelense afirmou que está investigando os relatos.