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Morre Sergio Miceli, professor da USP e referência da sociologia brasileira

Com mais de quatro décadas de produção acadêmica, teve papel central na formação de pesquisadores e na organização do debate sociológico contemporâneo

Por Redação VEJA Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 12 dez 2025, 13h10
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Morreu nesta sexta-feira, 12, em São Paulo, o sociólogo Sergio Miceli Pessôa de Barros, professor titular da Universidade de São Paulo (USP), diretor-presidente da Editora da USP (Edusp) e um dos principais nomes da sociologia brasileira contemporânea. A morte foi confirmada pela Reitoria da USP, que lamentou o falecimento e destacou sua contribuição decisiva para o pensamento social no País. A causa da morte não foi informada.

Miceli construiu uma trajetória acadêmica marcada pela excelência intelectual e pela influência duradoura sobre diferentes gerações de pesquisadores. Formado em Ciências Políticas e Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), fez mestrado na USP e obteve dupla titulação de doutorado em 1978, pela própria USP e pela École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris, sob orientação do sociólogo francês Pierre Bourdieu.

Sua tese, Intelectuais e Classe Dirigente no Brasil (1920–1945), tornou-se uma obra de referência na análise das relações entre cultura, poder e elites intelectuais no país. Ao longo da carreira, Miceli publicou e organizou mais de 40 livros e teve papel central na introdução e difusão do pensamento de Bourdieu no Brasil, organizando títulos fundamentais como A Economia das Trocas Simbólicas.

Professor da USP desde 1989, Miceli também se destacou como articulador institucional. Coordenou projetos coletivos importantes, como a obra História das Ciências Sociais no Brasil, produzida no Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo (Idesp), reunindo alguns dos principais nomes da área.

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À frente da Edusp desde março de 2022, cargo que já havia ocupado entre 1994 e 1999, defendeu o papel das editoras universitárias na publicação de obras de alto valor acadêmico e cultural, frequentemente fora do interesse do mercado editorial comercial. Para Miceli, cabia às editoras universitárias assumir o risco intelectual de publicar livros fundamentais para a formação humanística e científica.

Membro titular da Academia Brasileira de Ciências, Sergio Miceli deixa um legado decisivo para a sociologia, a vida universitária e a edição acadêmica no Brasil. Informações sobre velório e enterro ainda não foram divulgadas.

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