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Por que os golpes do Pix vão explodir no Brasil até 2028 e causar perdas bilionárias

Brasil vai liderar o crescimento de perdas bilionárias com golpes envolvendo sistemas de pagamento instantâneo, de acordo com relatório Scamscope

Por Camila Pati Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 22 jan 2025, 12h40 - Publicado em 22 jan 2025, 12h31

Grande parte dos golpes que envolvem o Pix são cometidos por criminosos que convencem as pessoas a fazerem uma transferência imediata, seja se passando por um familiar pedindo dinheiro emprestado, ou por uma loja falsa, ou até uma autoridade. O Brasil já é um dos campeões nestes tipos de golpes do Pix, com perdas de 1,937 bilhão de dólares, ou aproximadamente 11,4 bilhões de reais. O problema tende a crescer rápido nos próximos anos.

Pelo menos até 2028,  o país vai liderar o crescimento de perdas bilionárias com golpes envolvendo sistemas de pagamento instantâneo,  de acordo com  relatório Scamscope, desenvolvido pela ACI Worldwide. Estima-se que o aumento no país seja de 94%, o maior entre os seis principais mercados de pagamentos em tempo real do mundo: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Índia, Austrália e Emirados Árabes Unidos.

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No Brasil, os golpes mais comuns, segundo a pesquisa, envolvem compras (22%), investimentos (21%) e pagamentos antecipados (17%). Nos golpes de compra, as vítimas são induzidas a transferir dinheiro para adquirir um produto que, na verdade, não existe ou nunca será entregue. Já nos golpes de investimento, o consumidor é convencido a aplicar recursos em produtos ou empresas, mas os prometidos retornos financeiros nunca se concretizam. Por fim, nos golpes de pagamentos antecipados, a pessoa faz um depósito adiantado por um produto ou serviço habitual, mas o valor acaba sendo direcionado a uma conta falsa.

A explosão no número de golpes dessa natureza e nas perdas financeiras é atribuída também ao aumento de segurança dos aplicativos de bancos e fintechs. Com reconhecimento facial e biometria, fica mais difícil invadir contas, roubar senhas.  “Com isso, os criminosos começaram a focar em convencer as pessoas a fazerem as transações utilizando sistemas de pagamentos instantâneos”, explica o head de inteligência de pagamentos e soluções de risco da ACI Worldwide, Cleber Martins.

Os 2 fatores principais que levam as pessoas a caírem nos golpes do Pix

Ele destaca dois fatores principais que levam as pessoas a cair em golpes. O primeiro é o senso de urgência, ou seja, as pessoas acreditam que estão diante de uma oportunidade única, o que as faz agir impulsivamente, especialmente em compras ou investimentos que exigem pagamento adiantado, frequentemente via Pix. Isso ocorre porque o criminoso tem acesso imediato ao dinheiro. “Esse senso de urgência vai levar as pessoas a fazerem essas coisas. E a gente desliga na nossa cabeça algumas chavinhas de segurança”, diz Martins.

Martins também destaca a questão da “confiança herdada”. Golpistas exploram a credibilidade de pessoas ou instituições confiáveis. Por  exemplo: alguém vestido de policial, naturalmente inspira confiança.  Além disso, Martins explica como as tecnologias de inteligência artificial estão sendo usadas para simular vozes e até vídeos de conhecidos, tornando os golpes ainda mais sofisticados. “Imagina você recebe uma videochamada do seu pai. O criminoso simula ser seu pai te ligando com a voz e com o vídeo do seu pai falando: ‘ eu preciso da sua ajuda aqui’”, explica.

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Prevenção com tecnologia e educação

Com perdas bilionárias previstas para os próximos anos, o Brasil enfrenta um desafio urgente: equilibrar a evolução tecnológica com uma educação mais eficaz para conter o avanço das fraudes. A combinação desses dois pilares pode ser a única saída para frear os criminosos em um cenário de golpes cada vez mais sofisticados, segundo Martins.

“A gente já desenvolveu a capacidade de inteligência artificial colaborar uma com a outra sem precisar expor os dados, mas a dificuldade é a adoção“, explica o head de inteligência de pagamentos da ACI Worldwide.

Iniciativas como as do Banco Central, que compartilha informações sobre contas problemáticas, ajudam a mitigar os danos, mas têm limitações frente à rapidez com que os criminosos se adaptam. “O criminoso não fica usando aquela conta para sempre, ele cria outra”, diz Martins.

Para o especialista, a integração de tecnologias colaborativas entre bancos, fintechs e até o Banco Central é essencial para superar a visão limitada que os criminosos exploram. “Só uma adoção de uma tecnologia de inteligência artificial colaborativa é que vai permitir que os bancos enxerguem mais do que o criminoso consegue enxergar.”

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