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O que a tese do “voto útil” em Boulos esconde

A argumentação da esquerda derruba a lógica que ela mesma defende

Por Ricardo Rangel Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 4 out 2024, 12h38 - Publicado em 4 out 2024, 10h34

Eleição apertada, esquerda em situação periclitante, e lá vem a velha argumentação: todos os democratas devem abandonar seus candidatos favoritos para formar uma frente ampla com a esquerda e dar o “voto útil” para o candidato do PT.

É manchete mais comum do que “a situação no Oriente Médio se agrava”.

A esquerda paulistana declara que é imperioso formar uma “frente ampla contra o fascismo” (compara com a suposta frente ampla que elegeu Lula contra Bolsonaro) e adotar o “voto útil” em Guilherme Boulos — o recado é óbvio: “para com essa bobagem de votar na Tabata e vota logo no Boulos”.

A tese tem uns probleminhas.

1) É ridículo se falar em frente ampla na semana da eleição, ninguém constrói um mínimo de entendimento num tempo desses. O que a esquerda quer não é frente, é adesão incondicional.

2) Também é ridículo, aliás, dizer que houve frente ampla em 2022. Lula recusou-se a formar frente ampla, não negociou nada com ninguém e ficou naquela posição de “vinde a mim as criancinhas”, esperando que os votos dos democratas viessem a ele espontaneamente, sem que tivesse que dar nada em troca.

Quando bateu o medão, apelou para a ameaça: “se vocês não votarem em mim, o bicho papão vai pegar a todos nós!”. Se tivesse feito a tal frente ampla, Lula teria vencido no primeiro turno com folga. Como não fez, mesmo com os muitos votos do centro, quase foi engolido pelo bicho papão.

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3) Bolsonaro é de fato fascista, mas nem Ricardo Nunes nem Pablo Marçal podem ser classificados assim. Nunes é um político convencional, com muitos defeitos, mas está com Bolsonaro por mero oportunismo. Marçal é uma figura estranha, difícil de qualificar, mas tampouco parece fascista. (O dia em que a esquerda parar de chamar todo adversário de fascista marcará um avanço para a democracia brasileiro.)

4) Voto útil é quando você deixa de votar no seu candidato favorito para votar num candidato mais ou menos de modo a impedir que o candidato detestável vença. Mas votar em Boulos não impede nenhum dos dois candidatos supostamente detestáveis de vencer — ao contrário: Boulos perde de Nunes e pode perder de Marçal.

Por outro lado, Tabata, num eventual segundo turno, ganha de qualquer um. Se a esquerda quisesse mesmo impedir um bolsonarista de chegar à prefeitura, estaria defendendo transferir o voto de Boulos para Tabata.

Ou seja: a defesa do voto útil em Boulos não tem nada a ver com impedir bolsonarista de chegar à prefeitura. Ela tem a ver com impedir que a esquerda perca no primeiro turno.

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E tem ainda mais a ver com impedir que Lula dê o vexame de ser derrotado em casa no primeiro turno

(Por Ricardo Rangel em 04/10/2024)

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