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Reinaldo Azevedo

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O pensamento profundo de um reitor perturbado

José Geraldo, este impressionante reitor da UnB, assina uma espécie de artigo no site da universidade, em que fala dos descalabros relatados por VEJA. Ele os nega, claro!, e falseia a verdade ao afirmar que não foi ouvido. Foi! E se limitou a dizer que tudo não passava da reclamação de professores contrariados… No texto, […]

Por Reinaldo Azevedo Atualizado em 31 jul 2020, 11h26 - Publicado em 5 jul 2011, 16h01

José Geraldo, este impressionante reitor da UnB, assina uma espécie de artigo no site da universidade, em que fala dos descalabros relatados por VEJA. Ele os nega, claro!, e falseia a verdade ao afirmar que não foi ouvido. Foi! E se limitou a dizer que tudo não passava da reclamação de professores contrariados…

No texto, ele se refere, por exemplo, à agressão de que foi vítima a procuradora de Justiça Roberta Kaufmann. Ela, que é contrária ao sistema, foi à universidade para debater cotas. Debate, vocês sabem, se faz entre pessoas que divergem. Não na UnB. Foi impedida de falar. Quem liderou a gritaria foram professores. Ficou sitiada no prédio durante um tempo. Seu carro foi pichado: “Loira filha da puta”. José Geraldo achou a coisa injusta? Assim ele se refere ao caso:
“Ex-aluna do mestrado da Faculdade de Direito, onde ingressou com minha aprovação em sua banca, Roberta veio à UnB participar de um debate sobre as cotas. Aqui, foi injustamente vaiada e agredida. Não há, no entanto, um único integrante da administração superior que tenha participado das agressões. A reitoria, porém, sabe que a vaia é comum no campus. Recentemente, o presidente Lula foi vaiado aqui. Semana passada, também fui.”

O que dizer de tamanha delinqüência intelectual? O reitor, como se vê, acha que o vandalismo intelectual é parte do jogo. Seu texto embute uma indagação: se até ele próprio e Lula foram vaiados, do que Roberta está reclamando? Ele acha que seus hooligans são parte da paisagem. E tenta, como se nota, minimizar a gravidade do ocorrido: Roberta teve de ser protegida da agressão. Houve uma verdadeira ameaça de linchamento. Queriam bater nela. Quando os extremistas da UnB não ficam pelados para argumentar, eles querem dar porrada. O reitor considera que essa manifestação é coisa normal na vida acadêmica.

Alguém estranha que um sujeito capaz de escrever tamanha sandice convoque, por e-mail, os seus sequazes a enviar mensagens à VEJA e a demonizá-la nas redes sociais?  Segundo o valente, se a revista criticou os desmandos de sua gestão, é sinal de que ele está no caminho certo. Faz sentido. Zé Geraldo acha que linchamentos, também os morais, são parte do jogo. VEJA não acha!

Este blog também não! E defende condições mínimas para ser reitor: que o animal seja bípede, com polegar opositor e coluna ereta.

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