Relâmpago: Assine Digital Completo por 2,99
Imagem Blog

Mundialista

Por Vilma Gryzinski Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Se está no mapa, é interessante. Notícias comentadas sobre países, povos e personagens que interessam a participantes curiosos da comunidade global. Este conteúdo é exclusivo para assinantes.

Por que alguns israelenses são contra o acordo que libertará reféns?

A direita mais dura rejeita qualquer coisa que não implique na eliminação do Hamas – um objetivo impossível, mas que muitos acham vital

Por Vilma Gryzinski Atualizado em 17 jan 2025, 15h55 - Publicado em 17 jan 2025, 08h49

A partir desse domingo, as primeiras reféns israelenses começarão a deixar o inferno, os túneis onde tantos cativos foram torturados, espancados, forçados a passar fome e sexualmente abusados. É possível ser contra isso? É possível preferir que a guerra continue, mesmo ao custo de não resgatar compatriotas mantidos em condições extremas?

Foi isso exatamente o que aconteceu: o governo de Benjamin Netanyahu optou por um caminho duríssimo, mas apoiado por uma parte da cúpula política e militar. Só a pressão do enviado especial de Donald Trump demoveu o primeiro-ministro – empregando uma mistura de promessas e ameaças. “Vamos deixar bem claro para os israelenses, se eles precisarem voltar, estamos com eles. Se o Hamas não cumprir a sua parte, estamos com eles”, especificou o próximo assessor de Segurança Nacional, Mike Waltz.

Netanyahu não criou obstáculos para um acordo por crueldade ou falta de vontade de ver os reféns libertados, embora a quantidade de problemas internos, incluindo uma protelada investigação sobre o despreparo de Israel quando o Hamas invadiu as localidades da fronteira sul em 7 de outubro de 2023, vá se multiplicar quando o país entrar nessa nova fase.

Entre soltar reféns – em quantidade total ainda ignorada, pois não há certeza sobre o número dos que morreram no cativeiro – e garantir a segurança futura de Israel, ele fez a segunda opção. Uma faixa política que, inicialmente ia da centro-direita à ultradireita, o apoiou. Agora, os mais radicais podem sair do governo. Mas também há cidadãos comuns, simpatizantes da direita, que foram contra o acordo, incluindo familiares de soldados mortos em Gaza para os quais o sacrifício de seus entes queridos terá sido inútil se o Hamas voltar a desfilar pelas ruas do território, continuar a proferir ameaças contra Israel e, eventualmente, voltar a atacar o país – como inevitavelmente acontecerá. Também é difícil ver a libertação de 1.000 presos palestinos que cumpriam pena justamente por atos planejados ou cometidos de violência.

Um acordo de cessar-fogo, que pode ou não se tornar permanente, não resolve esses problemas. Seriam necessários muitos e muitos anos, com a construção laboriosa de uma mentalidade de paz e realizações concretas, como um Estado palestino independente e funcional, para diminuir o apelo da violência.

Continua após a publicidade

Críticas a Trump

Como o acordo é o mesmo que foi negociado por Joe Biden – Trump entrou com a parte do ultimato –, até entre simpatizantes do presidente que toma posse nessa segunda-feira houve críticas. Muitos preferem não atacar Trump diretamente, mas a frustração pode ser sem anteparos. O site The Times of Israel mencionou o comentário de uma usuária do X, dirigido diretamente a Trump: “Você forçou Israel a fazer um acordo terrível em troca de 33 reféns, muitos dos quais estão mortos. A maioria continuará cativa em Gaza, com destino indefinido. Você fez isso para cantar vitória no dia 20, sem outras considerações. Extremamente decepcionante”.

Esse sentimento tenderá a aumentar quando o retorno do Hamas às ruas de Gaza for ficando mais claro. Mesmo tendo perdido cerca de um terço, talvez mais, de seus homens em armas e vários dos líderes máximos, a organização islamista não foi desarticulada e o acordo de cessar-fogo, obviamente, auxilia na sua recomposição.

Também é inevitável a recuperação do Hezbollah no Líbano, embora sem a linha direta para o fornecimento de material bélico que a Síria oferecia.

Continua após a publicidade

A destruição de uma ampla quantidade de bases do Hezbollah foi um dos feitos bélicos de Israel, na mistura de bombardeios tradicionais e audaciosas operações de inteligência que caracterizou essa campanha.

Em quanto tempo o Hezbollah e o Hamas voltarão a atacar Israel? Imaginar que isso não vá acontecer é ingenuidade. E ninguém em Israel pode se dar a esse luxo, seja qual for sua posição política. O acordo para a libertação dos reféns foi o melhor possível e ver, finalmente, o rosto das jovens soldados, que foram filmadas assustadas e espancadas ao serem presas, tem um valor real e simbólico enorme. E um preço alto sobre o qual a maioria do país concordou, apesar dos que continuam achando que é pesado demais.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Domine o fato. Confie na fonte.

10 grandes marcas em uma única assinatura digital

ECONOMIZE ATÉ 82% OFF

Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*
Apenas 2,99/mês

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 9)
A partir de 35,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$ 2,99/mês.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.