O que falta ao Brasil dois anos após os atentados do 8 de Janeiro
Entre condenações e expectativas, o Brasil enfrenta o desafio de punir os verdadeiros mandantes da tentativa de golpe

A rememoração dos atentados do 8 de Janeiro, que completam dois anos nesta quarta-feira, 8, traz uma nova preocupação para o centro das atenções: se, até aqui, o foco estava nos executores – aqueles que invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes –, a expectativa agora recai sobre a responsabilização dos mandantes das cenas de barbárie. Houve avanços com as condenações e prisões, mas já é hora de as punições alcançarem o topo da cadeia.
Os primeiros sinais da mudança de postura são evidentes: militares de alta patente, como os generais Walter Braga Netto e Mário Fernandes, estão presos, totalizando 37 membros das Forças Armadas indiciados pela Polícia Federal. A sociedade aguarda ansiosamente que o Ministério Público denuncie os envolvidos, visto que as ações do 8 de janeiro representaram apenas a parte visível da engrenagem golpista, gestada por meio de conspirações e planos sombrios, que incluíam até mesmo assassinatos de autoridades e lideranças políticas.
O Brasil entra em 2025, portanto, com a obrigação de fazer uma escolha: ou promove um acordão para poupar os verdadeiros beneficiários dos crimes, ou rompe com o histórico de impunidade e coloca atrás das grades todos os envolvidos na orquestração da tentativa de golpe.
A reconstrução material do patrimônio destruído – simbolizada pelo retorno do relógio de Dom João VI ao Palácio do Planalto – já aconteceu. Resta saber se teremos a força necessária para reconstruir a confiança nas instituições.
Faltam peças importantes nesse quebra-cabeça: nome, rosto e CPF de quem arcou com as despesas e deu suporte à ameça de ruptura – inclusive os setores de grande poderio financeiro, como “o pessoal do agro”. Se não formos além da retórica, o risco de novas conspirações permanecerá no horizonte.
Fomos capazes de reconstruir o relógio. Precisamos agora virar os ponteiros para mudar o curso da história.