Oferta Mês dos Pais: Receba 4 Revistas em casa por 29,90
Imagem Blog

Coluna da Lucilia

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Coadjuvante de peso

O sabor particular do alho-poró

Por Lucilia Diniz 16 jul 2026, 19h19
Coadjuvante de peso Priorizar nos meus resultados Google

O que seria da diva sem o contrarregra que prepara sua entrada em cena, ou do protagonista sem o coadjuvante que lhe serve de “escada”? O mesmo pode ser dito do alho-poró com relação a uma grande quantidade de pratos da culinária ocidental. Embora tenha um sabor muito próprio, ele serve discretamente de base em muitas preparações – o que não impede que também possa brilhar no centro do palco, ou melhor, da mesa.

Há pelo menos 4.000 anos ele já era cultivado no Egito e na Mesopotâmia, sendo apreciado pelos antigos como alimento, mas também como remédio. Gregos e romanos lhe atribuíam propriedades revigorantes, acreditando que fortalecia o corpo e até a voz. Conta-se que o imperador Nero consumia grandes quantidades antes de falar em público, convencido de que a planta preservava suas cordas vocais.

Difundido pelo Império Romano, adaptou-se especialmente bem às regiões mais frias da Europa. Resistente ao inverno e capaz de permanecer na terra durante meses, tornou-se presença constante nas hortas de mosteiros e fazendas medievais, entrando em sopas, caldos e ensopados.

Em toda parte, o alho-poró foi se mantendo como uma presença constante, mas de atuação modesta. Nas Ilhas Britânicas, porém, a hortaliça acabou alçada a símbolo nacional. Segundo uma lenda tradicional local, São Davi orientou os soldados do País de Gales a prender um alho-poró ao capacete para que pudessem se reconhecer em batalha. Séculos depois, Shakespeare eternizou esse emblema em Henrique V, quando o oficial galês Fluellen, extremamente patriota, obriga um soldado inglês que zombara do ramo em seu chapéu a comê-lo.

Continua após a publicidade

Fora das lendas e da literatura, o ingrediente tem um lugar de destaque na sopa de alho-poró com batatas, servida fumegante durante o inverno. Curiosamente, do outro lado do Canal da Mancha, a combinação ganhou uma versão refinada e servida fria, a célebre “vichyssoise”.

Foi sobretudo na França, aliás, que o vegetal consolidou seu papel de coadjuvante de peso. Enquanto o sul mediterrâneo manteve uma predileção pelo sabor marcante do alho, as regiões do norte fizeram do alho-poró um ingrediente indispensável em veloutés, quiches, gratinados e inúmeras outras preparações. Eu o uso tanto como tempero, em tortas e sopas, quanto como ingrediente principal, assado no forno ou em suflê.

Continua após a publicidade

Primo do alho e da cebola, que como ele pertencem ao gênero “allium”, não raro anda perto deles ou ocupa seu lugar. Essa proximidade também está registrada na etimologia. O francês “poireau”, o italiano “porro” e o espanhol “puerro” vêm da raiz “porrum”, provavelmente anterior ao próprio latim. Já o inglês “leek” deriva de um antigo tronco germânico que designa amplamente os três vegetais.

O parentesco atravessou os séculos tanto na linguagem quanto na cozinha. Mais delicado que o alho, ele acrescenta perfume sem dominar o prato. Por essa razão com frequência aparece ao lado da cebola, compondo, com a cenoura e o salsão, os “mirepoix”. Essas bases aromáticas são o ponto de partida de molhos, caldos e ensopados.

Continua após a publicidade

E, como ensinava Auguste Escoffier, um dos patriarcas da culinária clássica francesa, “o fundo é tudo”. Por isso, o alho-poró pode até parecer secundário, mas tem papel indispensável. Ele raramente recebe os aplausos, mas ajuda a garantir que o espetáculo aconteça.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

ECONOMIZE ATÉ 88% OFF

Digital Básico

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 14,99/mês Apenas R$ 2,99/mês
OFERTA MÊS DOS PAIS

Revista em Casa + Digital Premium

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 59,99/mês
A partir de R$ 29,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$35,88, equivalente a R$2,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).