Oferta TORÇA, VIBRE E ASSINE: apenas R$7,99 e faça parte do programa de benefícios Abril Signature: descontos, cashback, sorteios e muito mais.
Imagem Blog

Coluna da Lucilia

Por Lucilia Diniz Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Um espaço para discutir bem estar, alimentação saudável e inovação

Casca dura, coração mole

O discreto e constante grão-de-bico

Por Lucilia Diniz 7 Maio 2026, 15h48
Casca dura, coração mole Priorizar nos meus resultados Google

Quando o homem ainda ensaiava os primeiros passos da agricultura, aprendendo a interferir na paisagem e a domar os caprichos da terra, ele já estava lá. Ao lado do trigo e da cevada, o grão-de-bico é uma das mais antigas testemunhas da história das civilizações, acompanhando a humanidade como um coadjuvante discreto.

Vestígios da leguminosa, datados de 7.000 anos antes de Cristo, foram encontrados no Crescente Fértil, em localidades que hoje pertencem à Turquia e à Síria. Seguindo a rota comum de tantos ingredientes, migrou para o Mediterrâneo, tornando-se um petisco apreciado na Grécia Antiga, consumido tostado, e entre os romanos, que o tornaram um alimento mais cotidiano.

Um deles, o filósofo e estadista Marco Túlio Cícero, foi associado ao ingrediente, pelo seu sobrenome, que vem, de fato, da palavra latina para o grão-de-bico, “cicer”. Há quem diga que um antepassado seu tinha no nariz uma marca que lembrava a leguminosa. Mas a hipótese mais provável é que gerações anteriores de sua família tenham desenvolvido sua atividade comercial em torno do grão.

Comerciantes, aliás, mantiveram o grão-de-bico em um vaivém mundo afora. Com a expansão islâmica, difundiu-se no Oriente Médio e no Norte da África, dando origem tanto ao cremoso homus quanto ao crocante falafel, até hoje presentes na culinária da região.

Ainda com os muçulmanos, chegou à Península Ibérica, sendo a base do “cocido”, ao lado de carnes e vegetais. Mas ele viajou longe, chegando ao sul da Índia, onde é muito comum também em forma de farinha.

Continua após a publicidade

Por seu sabor suave, é bastante versátil. Mas essa delicadeza deve ser confundida por muitos com falta de graça, pois ele acaba sendo bem menos lembrado e celebrado do que outras leguminosas. É considerado de fácil cultivo, sendo talvez por isso associado a uma mesa mais modesta e a momentos de escassez.

Suas características valeram-lhe uma fama ambígua na cultura popular. Como é de fácil digestão, aparece, por exemplo, em um provérbio siciliano que diz que “amor não é caldo de grão-de-bico” – ou seja, algo que passa rápido e fácil, sem deixar rastros. Por outro lado, como seu exterior é muito duro, na Itália era comum mandar alunos indisciplinados se ajoelharem sobre ele, rendendo a expressão “pedir perdão no grão-de-bico”.

Que aqui esse triste costume tenha se propagado com o milho mostra que o grão-de-bico não ganhou muita popularidade no Brasil. Ficou mais relacionado à culinária portuguesa, aparecendo com frequência ensopado com o bacalhau, sem jamais ter alcançado o protagonismo e a cor local adquiridos pelo seu primo feijão.

Continua após a publicidade

É um destino um tanto injusto para uma leguminosa tão cheia de proteínas e fibras. Sabendo do seu valor, eu o uso muito. No polpetone e no hambúrguer, ele substitui a carne; com sua farinha, faço panquecas; bem cozido, rende um substancioso mexido. Até a massa para um “bolovo” light eu preparo com ele.

Pode-se argumentar que a pressa cotidiana atrapalha sua inclusão na cozinha. De fato, cru, ele exige dez ou doze horas de molho antes de ir para a panela. Mas as versões em conserva são igualmente boas. O grão-de-bico pode até ter a casca dura, mas dentro guarda um coração mole – e muito rico.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Banner promocional da Editora Abril com uma mulher sorrindo, segurando um cartão de crédito e usando um notebook. À esquerda, texto HOJE É 7.7 com ATÉ 80% OFF e botão APROVEITE A OFERTA AGORA. Ao centro, Na Editora Abril os números se alinharam para você ler as melhores revistas do Brasil por um preço simbólico, com capas de revistas como Veja e Saúde. Uma faixa diagonal laranja à direita diz 1 ASSINATURA LEIA 15 MARCAS.Banner promocional com HOJE É 7.7 em destaque e ATÉ 80% OFF. À direita, uma mulher sorridente, de camisa clara, segura um cartão dourado enquanto digita em um notebook. No canto inferior direito, uma faixa laranja com 1 ASSINATURA LEIA 15 MARCAS
OFERTA RELÂMPAGO

Veja

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Veja

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).