Receba 4 Revistas em casa por 35,90/mês
Imagem Blog

Claudio Lottenberg

Materia seguir SEGUIR Seguindo Materia SEGUINDO
Mestre e doutor em Oftalmologia pela Escola Paulista de Medicina (Unifesp), é presidente institucional do Instituto Coalizão Saúde e do conselho do Einstein Hospital Israelita

Saúde ocular e envelhecimento com dignidade

O Brasil tem expertise e tecnologia de ponta capazes de transformar vidas

Por Claudio Lottenberg 6 mar 2026, 12h10

Até o século XX, celebrávamos como conquista o aumento da expectativa de vida. Nas últimas duas décadas, porém, o discurso mudou: já não basta viver mais, queremos viver melhor. Essa mudança de perspectiva acompanha a expressiva elevação do número de idosos. Conseguimos estender o tempo de vida, mas não descobrimos o elixir da juventude, ou seja, vivemos mais, mas convivemos também com mais doenças. É nesse ponto que os sistemas de saúde se veem diante de um desafio enorme.

Na oftalmologia, área em que atuo há décadas, a catarata é talvez o exemplo mais emblemático. É uma doença grave, mas de solução simples. Sem tratamento, deixa a vista embaçada, como se a pessoa olhasse através de uma cortina de água, e pode levar à cegueira total, mas a cirurgia, que hoje é segura e eficaz, devolve autonomia e qualidade de vida. Os números do SUS, no entanto, mostram filas de centenas de milhares de pessoas esperando meses por um procedimento que poderia ser realizado rapidamente. Essa espera não é apenas um dado estatístico: é gente que deixa de ler, de dirigir, de reconhecer rostos. É perda de independência.

Os mutirões de catarata são uma tentativa de resposta à demanda, mas, embora tragam alívio ao sistema, não resolvem o problema estrutural. É como enxugar gelo: sem programas permanentes e sem enfrentar a desigualdade regional, continuaremos acumulando filas. Em janeiro do ano passado, cerca de 600 mil pessoas aguardavam o procedimento, com espera média de 137 dias, dependendo da região. O Norte e o Nordeste ainda sofrem com a falta de especialistas e de estrutura, um problema que não se resolve da noite para o dia. Sobrecarregar equipes nos mutirões, contudo, pode comprometer o acompanhamento pós-operatório, que é tão importante quanto a cirurgia em si.

Penso que a solução esteja em fluxos contínuos de cirurgias eletivas, sustentados por polos especializados e pelo uso inteligente da tecnologia. A teleoftalmologia, por exemplo, pode ser um poderoso aliado na triagem em áreas remotas. Para tanto, a parceria entre rede pública e rede privada é indispensável. Tenho orgulho de ver o Hospital Albert Einstein, instituição da qual faço parte, contribuindo com o SUS por meio do PROADI-SUS. Essa conexão, que promove compartilhamento de experiência e de tecnologia, é o caminho para reduzir desigualdades.

O Albert Einstein foi recentemente classificado pela revista Newsweek como o segundo melhor centro de cirurgia de catarata da América Latina entre as 100 melhores instituições privadas de saúde da região. Não é pouca coisa. E mais: no mesmo ranking, obtivemos o primeiro lugar em cirurgia refrativa, reconhecimento que particularmente me orgulha porque faço parte dessa história desde a época dos bisturis de diamante e estive no grupo que introduziu a cirurgia a laser no Brasil. Essa satisfação, para mim, tem um significado ainda maior: mostra que o Brasil tem competência e tecnologia de ponta capazes de transformar vidas.

Continua após a publicidade

Hoje testemunhamos o impacto da inteligência artificial, outra grande história que está apenas começando. A IA já está presente tanto no apoio ao diagnóstico e no panejamento da cirurgia, sugerindo o cálculo ideal de lentes intraoculares, como na execução do procedimento, fornecendo feedback em tempo real e, assim, minimizando erros e aumentando a segurança do paciente.

O futuro nos reserva muito mais. Além de maior precisão e redução de erros humanos, a IA pode ajudar na personalização do tratamento, com base em dados de imagem e evolução clínica. Podemos antever até cirurgias autônomas por IA, o que é questão de (pouco) tempo. Por ora, integrada à telemedicina, já pode ampliar diagnósticos, reduzir filas e garantir que mesmo quem vive em regiões distantes tenha acesso a cuidados de qualidade. Os idosos, de qualquer região, inclusive das áreas remotas e das reservas indígenas, devem ter assegurado o direito à saúde ocular. Isso significa envelhecer com autonomia e segurança.

O reconhecimento internacional de nossa expertise, mais que motivo de orgulho, é um compromisso que se renova. Ter excelência nos obriga a pensar em meios de democratizar tudo o que alcançamos. O sucesso que almejamos virá, de fato, quando conseguirmos transformar a vida cotidiana de milhões de brasileiros que dependem do SUS para enxergar melhor e para envelhecer com saúde e dignidade.

Publicidade
TAGS:

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Duas mulheres sorridentes, uma mais velha com cabelo cacheado e uma mais jovem com cabelo liso, abraçadas, usando camisas brancas, em um fundo claro. À esquerda, um ícone de árvore roxa estilizadaDuas mulheres sorridentes, uma mais jovem com a cabeça apoiada no ombro da outra, ambas vestindo camisas brancas, em um fundo claro com um ícone de árvore roxa à esquerda
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês
ECONOMIZE ATÉ 29% OFF

Revista em Casa + Digital Completo

Receba 4 revistas de Veja no mês, além de todos os benefícios do plano Digital Completo (cada revista sai por menos de R$ 10,00)
De: R$ 55,90/mês
A partir de R$ 39,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).