Receba 4 Revistas em casa por 35,90/mês

Camarão também sofre

Biólogos lançam declaração de senciência dos crustáceos para conseguir melhores condições de captura, transporte e morte

Por Valéria França Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 1 dez 2025, 19h18 | Atualizado em 2 dez 2025, 13h23

Apesar de frequentemente mergulhados, ainda vivos, em água fervente, os crustáceos são animais sensíveis à dor, segundo a ciência. Nesta terça-feira, 2, biólogos da Alianima — organização sem fins lucrativos dedicada à melhoria das condições de vida dos animais — lançam a “Declaração de Senciência em Crustáceos”, documento que reconhece esses seres como animais sencientes e, portanto, reivindica condições mais humanitárias de captura, transporte e abate.

Os crustáceos não contam com qualquer proteção legislativa voltada ao bem-estar nem costumam aparecer em debates éticos. São seres vivos praticamente invisíveis aos olhos da sociedade, lembrados sobretudo quando o assunto é gastronomia. Cerca de 440 bilhões de camarões são produzidos em fazendas todos os anos ao redor do mundo para abastecer supermercados e peixarias. São adorados no prato, mas esses pequenos e silenciosos animais não despertam empatia por não terem uma “carinha fofa” ou expressões evidentes de incômodo ou sofrimento — o que leva muitos a supor que seriam simples demais para sentir dor.

A declaração reúne estudos neuroanatômicos, comportamentais e farmacológicos que indicam que camarões, lagostas e outros crustáceos são capazes de sentir dor, experimentar sofrimento e apresentar respostas complexas a estímulos nocivos. Eles conseguem distinguir cores e formas e demonstram capacidades de cognição, tomada de decisão e percepção. O material dá continuidade ao trabalho iniciado pela ONG em 2023, quando lançou a Declaração de Senciência em Peixes.

A principal pesquisa que embasou o movimento dos biólogos por proteção legal e maior atenção a esses animais é de 2010. Na época, o biólogo Bob Elwood, da Universidade Queen’s, na Irlanda do Norte, realizou um experimento comportamental com caranguejos submetidos a choques elétricos em um ponto escuro do aquário. Depois de receberem a descarga, eles deixaram de entrar naquela área.

“Eles aprendem a evitar situações prejudiciais e dolorosas. Ajustam o comportamento. Não podemos ignorar isso”, afirma Carolina Maia, bióloga com pós-doutorado em aquicultura e especialista em peixes na Alianima. Reconhecer a senciência é o primeiro passo para que os pesquisadores avancem na luta por algum tipo de proteção para esses animais.

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

Duas mulheres sorridentes, uma mais velha com cabelo cacheado e uma mais jovem com cabelo liso, abraçadas, usando camisas brancas, em um fundo claro. À esquerda, um ícone de árvore roxa estilizadaDuas mulheres sorridentes, uma mais jovem com a cabeça apoiada no ombro da outra, ambas vestindo camisas brancas, em um fundo claro com um ícone de árvore roxa à esquerda
OFERTA RELÂMPAGO

Digital Completo

A notícia em tempo real na palma da sua mão!
Chega de esperar! Informação quente, direto da fonte, onde você estiver.
De: R$ 16,90/mês Apenas R$ 1,99/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$23,88, equivalente a R$1,99/mês. Após esse período a renovação será de 118,80/ano (proporcional a R$ 9,90/mês).