Datas: Plas Johnson, Keigo Higashino e Gunther von Hagens
As despedidas que marcaram a semana
É, sem dúvida alguma, um dos mais conhecidos temas de abertura da história do cinema. E atire a primeira pedra quem não associar os créditos iniciais de A Pantera Cor-de-Rosa, de 1963, com o suingue irresistível do saxofone tenor de Plas Johnson. Requisitado músico americano, figurinha carimbada nas gravações de Frank Sinatra e Ella Fitzgerald, ele foi escolhido pelo compositor da trilha, Henry Mancini, que dizia tê-lo selecionado desde que começou a rabiscar as notas na pauta de papel. Mancini compôs a obra-prima depois de ver algumas cenas do bicho animado, a caminhar de modo malemolente pela tela. Como reproduzir os passos manhosos, com pausas dramáticas que parecem espiar o perigo? Como imprimir ironia aos descuidos atrapalhados do inspetor Clouseau do genial ator Peter Sellers, dirigido, na primeira versão da franquia, por Blake Edwards? Nasceu então um clássico que, para Mancini, apenas Johnson seria capaz de tocar com a necessária elegância. O “tã-ram, tã-ram, tã-ram, tã-ram, tã-ram, tã-ram…” é uma joia da civilização ocidental. Johnson morreu em 15 de julho, aos 94 anos, mas a notícia foi confirmada na semana passada.
Um mestre do suspense
Ele escreveu 106 livros que venderam pelo menos 110 milhões de exemplares no Japão. Suas obras foram publicadas em 41 países, em traduções para o inglês, chinês, coreano, francês — e português. A Devoção do Suspeito X é o mais conhecido trabalho de Keigo Higashino, autor especializado em suspense, mistério e crimes. Há meia dúzia de filmes, por óbvio, inspirados no texto seco e inteligente ao redor de um personagem carismático como o Hercule Poirot de Agatha Christie: um certo detetive Galileo. Instado a definir seu estilo, Higashino foi claro: “Eu sempre tenho um advogado de defesa, um promotor e um juiz dentro de mim, e talvez até mesmo um réu”, disse em 2006. “Essa mentalidade me impede de escrever baseado unicamente na perspectiva de um único lado.” Ele morreu em 23 de julho, aos 68 anos, de câncer colorretal.
Os corpos falam
Foi escandaloso. Em 1995, uma exposição inaugurada no Japão e que depois percorreria o mundo, com mais de 58 milhões de visitantes, chamou a atenção para o médico anatomista alemão Gunther von Hagens. Seu trabalho: a exibição de cadáveres humanos preservados com um tipo de plástico, o que resultava em corpos embebidos de polímeros que, depois de endurecidos, pareciam vivos. Hagens foi acusado de sensacionalismo, mas seguiu em frente.
Quando chegou à Alemanha, o conjunto de peças foi execrado, vítima de intensa campanha de lideranças religiosas, mas o artista com conhecimento científico forense venceu a briga. Ele morreu em 24 de julho, aos 81 anos. A família informou que seus restos mortais serão preservados com o recurso que ele tornou famoso.
Publicado em VEJA de 31 de julho de 2026, edição nº 3006






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