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Maior navio comercial da história abre nova era para os cruzeiros

O Icon of the Seas sairá de Miami para viagem de sete dias e noites pela vizinhança. Nunca houve embarcação de dimensões tão espetaculares

Por Fábio Altman Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 28 jan 2024, 08h00 • Atualizado em 4 jun 2024, 09h20
  • Uma revolução silenciosa, entre os anos 1950 e 1960, mudou para sempre a sociedade industrial, com o desenvolvimento dos microchips de computadores — e então, graças a peças cada vez mais diminutas de silício, imaginadas para mover rádios, calculadoras, computadores e celulares, o mundo encolheu. Tamanho passou a ser documento, mas ao avesso. O pequeno, o minúsculo, é que fez a humanidade avançar. Contudo, em um campo da civilização — o de transportes, especialmente atrelado ao turismo — o oposto é que vale ouro. O grandão é que é bacana. No ar, o topo do pódio é da aeronave Airbus A380, com 509 assentos. Na água, o recordista começará a singrar os oceanos a partir do próximo dia 27.

    O navio Icon of the Seas, da companhia américo-norueguesa Royal Caribbean, sairá de Miami, nos Estados Unidos, para seu primeiro cruzeiro em sete dias e noites pela vizinhança. Nunca houve embarcação de dimensões tão espetaculares. Ele tem 365 metros de comprimento e altura de um prédio de vinte andares. A capacidade é de 7 600 turistas e 2 350 tripulantes. É um colosso ou, como anotou um gaiato da rede social X, “parece uma lasanha humana”, dada as infinitas camadas que o compõem. Ao atracar no porto da Flórida, a caminho da estreia, foi recebido com espanto, como se fosse cena de um daqueles filmes ao estilo Godzilla, o titã com o horizonte urbano ao fundo, altivo e quase assustador. “O Icon of the Seas é a embarcação que mais rapidamente atraiu o interesse de pessoas de todo o mundo”, diz o CEO da Royal Caribbean, Michael Bayley.

    A brincadeira custou para a empresa 2 bilhões de dólares, e não por acaso cobrará caro dos turistas. Os preços, em travessia de uma semana, começam em pouco mais de 8 000 reais por pessoa, em cabines mais simples, sem vista para o mar, e chegam a quase 50 000 reais, em quartos luxuosos debruçados para a água. É uma cidade, com o perdão do lugar-comum. São sete piscinas, um simulador de ondas para surfe, nove banheiras de hidromassagem, uma parede de escalada e campos de minigolfe. Há quarenta lugares para comer, entre restaurante e bares. Como espelho dos humores dos tempos atuais, de zelo pelo ambiente, será movido prioritariamente a gás natural e as chamadas “células de combustível”, que provocam uma reação química entre o oxigênio e o hidrogênio e não usam combustão. Além disso, como capítulo de uma tendência, se conectará à energia elétrica produzida em terra.

    O Icon of the Seas é o personagem mais vistoso de um mercado que renasceu das cinzas da pandemia e não para de crescer. Em 2021, o número de pessoas embarcadas caiu para 4,8 milhões — deve chegar a 40 milhões em 2027. O faturamento, hoje na ordem de 8 bilhões de dólares, deve alcançar 15 bilhões de dólares em 2028. No Brasil, segundo estudo da Associação Internacional de Cruzeiros Marítimos (Clia) em parceria com a FGV, a cada real investido no setor de cruzeiros há movimentação de 4 reais, o que resultou, na temporada de 2022/2023, em injeção de 5 bilhões de reais na economia do país. O entusiasmo, portanto, é bandeira ao vento — sobretudo em torno dos cruzeiros temáticos.

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    Para que tudo dê certo, e navegue com tranquilidade, há permanente cuidado com uma questão que por vezes parece não estar na superfície, representa algum tabu, mas é crucial: a segurança. Lembra-se, mais recentemente, do naufrágio do italiano Costa Concordia, que em 2012 tombou na costa da Isola del Giglio, na Toscana, depois de uma manobra malsucedida do capitão Francesco Schettino. Recorda-se, mais remotamente, do Titanic, em 1912 — e não por acaso é muito comum cotejar a metragem dos supernavios com o trágico navio que partiu da Inglaterra para os Estados Unidos (veja no quadro) e nunca chegou ao destino, ao colidir com um iceberg.

    Pode haver algum mau gosto ao comparar o Icon of the Seas com acidentes do passado, mas as certezas em torno dos atuais recursos para evitar naufrágios autorizam, com sobras, a acareação. Simples assim: nunca, como agora, tantos avanços de controle foram conquistados para se chegar a risco quase zero. Sofisticados programas de computador ajudaram no design do Icon of the Seas, de modo a facilitar a evacuação de quase 10 000 pessoas em minutos, por meio de escadas amplas e corredores largos, a caminho dos botes salva-­vidas afeitos a abrigar todo mundo ao mesmo tempo. Além do mais, um sofisticado sistema de GPS impede que ele se perca no mapa. Bem-vindo, portanto, a uma nova era de gigantismo como sinônimo de qualidade (e entretenimento) no mar.

    Publicado em VEJA de 26 de janeiro de 2024, edição nº 2877

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