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Síndrome do coração partido: conheça a doença que simula um infarto

Mais comum em mulheres, condição geralmente tem evolução benigna, mas precisa de tratamento adequado para evitar complicações

Por Fernanda Bassette, da Agência Einstein
Atualizado em 17 out 2025, 13h00 - Publicado em 17 out 2025, 13h00

Dizem que ninguém morre de coração partido — mas não é bem assim. A Síndrome de Takotsubo, também chamada de síndrome do coração partido, é provocada por situações de estresse intenso (físico ou emocional) e afeta diretamente o funcionamento do músculo cardíaco, como se fosse um infarto. Apesar de geralmente ter evolução benigna, se não for tratada adequadamente, pode causar complicações e até levar à morte.

Essa síndrome é uma cardiomiopatia induzida por estresse, caracterizada pela perda temporária da capacidade de contração do músculo cardíaco, sem obstrução significativa das artérias coronárias — ao contrário do que ocorre em um infarto clássico. “É uma condição clínica que mimetiza um infarto do miocárdio, em que ocorre disfunção segmentar do músculo cardíaco, geralmente transitória, na ausência de obstrução das artérias coronarianas”, explica o cardiologista Marcelo Franken, gerente de Cardiologia do Einstein Hospital Israelita.

O nome curioso não é por acaso: a síndrome costuma surgir após fortes abalos físicos ou emocionais, como a perda de alguém querido, situações traumáticas, cirurgias, infecções graves e até o uso de drogas estimulantes. “Ela é considerada uma doença cardíaca real, que aparece após situações de estresse físico ou emocional intenso”, ressalta a cardiologista Salete Nacif, diretora da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) e integrante da Socesp Mulher, departamento focado na saúde feminina.

Sintomas parecidos

Um dos maiores desafios no diagnóstico correto da síndrome do coração partido é que os sintomas são praticamente idênticos aos de um infarto agudo do miocárdio. Dor súbita no peito, falta de ar, palpitações, sudorese fria e desmaios podem ocorrer, o que leva muitos pacientes ao pronto-socorro. “Inclusive, há alterações no eletrocardiograma e nos exames laboratoriais, assim como acontece no infarto”, observa Franken.

Essa semelhança exige investigação detalhada para confirmar a causa do quadro. Por isso, o diagnóstico envolve exames clínicos e laboratoriais, eletrocardiograma, ecocardiograma e o cateterismo, essencial para descartar a obstrução coronária típica do infarto. Em alguns casos, a ressonância magnética cardíaca também pode ser indicada.

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“Clinicamente, os sintomas são quase idênticos. A diferença só fica clara com exames. No infarto, há obstrução de uma artéria coronária, visível no cateterismo. Na síndrome de Takotsubo, não há obstrução; observa-se uma alteração típica no movimento do coração, especialmente no ventrículo esquerdo”, detalha Nacif.

A causa exata da síndrome ainda não é totalmente conhecida, mas sabe-se que ela está relacionada a uma descarga excessiva de hormônios do estresse, como a adrenalina, que afeta o músculo cardíaco e altera sua função temporariamente.

Cerca de 90% dos casos descritos ocorrem em mulheres. Entre elas, o problema é mais comum após a menopausa, quando há alterações hormonais que parecem aumentar a vulnerabilidade do coração ao estresse. Segundo Marcelo Franken, a faixa etária mais atingida são mulheres por volta dos 60 anos. “Estima-se que ocorram cerca de 30 mil casos por ano no Brasil, por volta de 1% dos infartos”, relata.

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Mas idosos e pessoas com histórico de estresse intenso ou doenças neurológicas também parecem mais suscetíveis. Estudos recentes mostram que a incidência em homens tem aumentado, sobretudo quando o gatilho é um evento de estresse físico, como cirurgias ou infecções graves.

No último congresso da Socesp, realizado em junho, o cardiologista intervencionista Davide Di Vece, um dos coordenadores do Registro Internacional de Takotsubo, apresentou dados de um estudo que chamou atenção. Segundo essa pesquisa, a proporção de casos masculinos passou de 10% para 15% entre 2004 e 2021. E embora os homens ainda representem a minoria, a doença costuma ser mais grave nesse grupo, com maior risco de complicações e morte.

O tratamento costuma ser de suporte, semelhante ao indicado para insuficiência cardíaca. “Envolve geralmente medidas para reduzir a carga de trabalho do coração, como o uso de betabloqueadores e inibidores da ECA [Enzima Conversora de Angiotensina]”, explica Nacif. É fundamental que o paciente permaneça internado com monitorização contínua, especialmente devido ao risco de arritmias. Em geral, a recuperação ocorre em poucas semanas ou meses, e a função cardíaca costuma voltar ao normal. A síndrome pode se repetir em cerca de 5% a 10% dos casos.

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Tem como prevenir?

Não há uma forma específica de evitar a síndrome, mas medidas de promoção do bem-estar ajudam a reduzir o risco. “Técnicas para diminuir o estresse, sono regular, atividade física e tratamento adequado de ansiedade e depressão podem ajudar”, orienta a cardiologista da Socesp. Mas a recomendação principal é: procure ajuda médica imediata diante de qualquer sintoma suspeito. “Na presença de dor no peito ou falta de ar, é fundamental procurar um serviço de emergência”, avisa o médico do Einstein.

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