O Brasil no coração da sonhada vacina
A chegada de doses do laboratório chinês Sinovac Biotech ao Instituto Butantan foi uma das boas notícias da semana em torno do combate à Covid-19
Os cinco meses desde o primeiro caso de Covid-19 no Brasil coincidiriam com excelentes notícias em torno do desenvolvimento da sonhada vacina contra o novo coronavírus. Na terça-feira 21, um lote de doses produzidas pelo laboratório chinês Sinovac Biotech chegou ao Instituto Butantan, em São Paulo, para ser testado em 9 000 voluntários. Um dia antes, a Universidade de Oxford anunciara que os resultados iniciais de seu produto, o mais avançado até agora, foram satisfatórios. Dos 50 000 homens e mulheres das mais variadas faixas etárias em todo o mundo a participar do estudo inglês, 5 000 são brasileiros. O país se transformou no epicentro dos trabalhos por ter o segundo maior número de casos (mais de 2 milhões) e mortes da doença (na casa dos 80 000), mas também pela excelência de seu histórico de imunização. Em tese, nações que participam das experiências inaugurais têm privilégio na compra da substância, quando houver aprovação. O Ministério da Saúde fechou um acordo com a britânica AstraZeneca, parceira no desenvolvimento da vacina de Oxford, para garantir a produção e a aquisição de 30,4 milhões de unidades. Se a vacina chinesa for efetiva, já há pedido de 60 milhões de doses. Haverá, contudo, como sempre, uma batalha financeira e diplomática no horizonte. Os Estados Unidos utilizaram a prerrogativa de maior economia do mundo para garantir que sejam o primeiro país a receber o produto de uma outra linha de fabricação, da Pfizer. Na quarta-feira 22, Donald Trump anunciou um acordo avaliado em 1,95 bilhão de dólares com a farmacêutica, em troca de 100 milhões de doses da vacina. O volume corresponde à produção inicial anunciada pela companhia. Trata-se, enfim, da inauguração de uma segunda, ruidosa e necessária, etapa. Tudo em nome da saúde.
Publicado em VEJA de 29 de julho de 2020, edição nº 2697