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Imunizante que previne bronquiolite chega ao Brasil com cobertura de planos de saúde

Chamado de Nirsevimabe, anticorpo monoclonal poderá ser aplicado a partir de qualquer idade e terá cobertura para prematuros e neonatos com comorbidades

Por Luiz Paulo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 31 jan 2025, 13h10 - Publicado em 30 jan 2025, 16h46

O vírus sincicial (VSR) é um dos principais causadores de síndromes respiratórias na infância – estima-se que, até os 2 anos de idade, a quase totalidade das crianças serão atingidas por esse patógeno, responsável por mais de 60% das bronquiolites e por cerca de 40% das pneumonias pediátricas. Agora, o mercado brasileiro contará com mais um agente para combater esse problema. Nesta quinta-feira, 30, a farmacêutica Sanofi anunciou a chegada do Nirsevimabe no país, um imunizante passivo para o VSR. 

Via de regra, as vacinas estimulam o sistema imunológico a gerar resposta duradoura contra o patógeno – a chamada imunização ativa –, mas isso costuma levar meses e, por enquanto, ainda não há uma fórmula capaz de gerar proteção contra o VSR já nos primeiros meses de vida, quando os indivíduos são mais atingidos. “Nessa idade, as crianças se beneficiam mais da defesa pronta, chamada de imunização passiva”, disse infectologista e pediatra Renato de Ávila Kfouri, em coletiva de imprensa realizada pela empresa. 

O Nirsevimabe, chamado comercialmente de Beyfortus, age exatamente dessa maneira. Ele fornece anticorpos específicos para o vírus que duram no corpo da criança por cerca de cinco meses, garantindo proteção contra o desenvolvimento da doença. 

O problema é que essa ação não é duradoura, como ocorreria com os imunizantes convencionais. Por outro lado, as os estudos clínicos apontam que a injeção é segura em todas as idades, possibilitando a administração já nos primeiros dias de vida, o que é preferível, já que a maior prevalência da infecção ocorre entre 2 e 6 meses de idade. 

Esse não é o primeiro imunizante para o VSR disponível no país. O Palivizumabe também é um anticorpo efetivo contra a infecção, mas ele tem curta duração, precisa ser aplicado mensalmente e é ligeiramente menos seguro que o Nirsevimabe. Por outro lado, vacinas convencionais, como a Arexvy, produzida pela GSK, e a Abrysvo, da Pfizer, são indicadas apenas para idosos ou gestantes. 

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Qual o preço do imunizante contra o VSR?

De acordo com os porta-vozes da Sanofi, o Nirsevimabe deve chegar ao Brasil no período em que o vírus mais circula, entre os meses de março e maio. Por enquanto ele estará disponível apenas nas redes privadas, por valores que podem variar de 2.663 e 3548 reais

Apesar do preço salgado, algo comum entre os anticorpos monoclonais, há uma notícia positiva: para os bebês que se enquadram no grupo de risco para esse tipo de infecção, o imunizante já chegará ao país sob a rol de cobertura da Agência Nacional de Saúde Complementar (ANS). Isso significa que, quem tem plano de saúde, poderá vacinar os bebês nascidos prematuros, antes das 37 semanas de gravidez, ou com comorbidades (doença pulmonar crônica da prematuridade e doença cardíaca congênita hemodinamicamente significativa).

O imunizante para o VSR estará disponível no SUS?

Por enquanto, o Nirsevimabe não estará disponível no Sistema Único de Saúde, mas segundo Guillaume Pierart, gerente geral de vacinas da Sanofi, o pedido para incorporação do imunizante já foi enviado ao Governo, que avalia a possibilidade. 

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Para Daniel Jarovsky, infectologista, pediatra e vacinólogo da Santa Casa de São Paulo, a possibilidade é animadora. “Para que vejamos resultados expressivos, é preciso uma alta cobertura vacinal”, disse. 

Isso pode não ser tão fácil. Enquanto a vacina não estiver no calendário de vacinação, é pouco provável que as famílias consigam desembolsar o valor para imunizar todos os recém nascidos e, caso ela seja incorporada pelo sistema público, será necessário convencer a população de que esse tipo de imunizante também é efetivo e seguro para indivíduos saudáveis. 

O exemplo de outros países, contudo, pode contar a favor. No Chile, por exemplo, cerca de 98% dos recém-nascidos estão recebendo o imunizante. O resultado da medida impressiona: por lá, na última temporada de infecções, as hospitalizações relacionadas ao VSR caíram 90% em relação ao ano anterior, enquanto o número de mortes foi reduzido a zero. 

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É preciso, contudo, tomar cuidado com a interpretação desses resultados. Durante a pandemia, as infecções por VSR caíram drasticamente, mantendo parte da população vulnerável. Por consequência, após o fim da emergência sanitária, um número muito grande de crianças foi infectado em comparação com o período pré-Covid-19. Portanto, é possível que a queda tão expressiva seja resultado, tanto da vacinação, quanto do retorno do vírus para os padrões epidemiológicos convencionais. 

Será preciso aguardar os resultados observados nos anos seguintes, mas, de qualquer maneira, há motivo para expectativas positivas: sozinhos, os ensaios clínicos já apontavam para uma redução de mais de 80% das hospitalizações. Além disso, é possível que a proteção contra essa infecção na infância diminua o risco de desenvolver condições respiratórias crônicas, como a asma. A ver. 

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