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HIV: Após Trump congelar recursos, OMS e entidades expressam preocupação com possível ameaça global

Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids influencia mais de 50 países – inclusive o Brasil

Por Luiz Paulo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 29 jan 2025, 11h04 - Publicado em 29 jan 2025, 10h54

Após uma série de medidas para paralisar os gastos governamentais com ajuda externa, uma ordem executiva do presidente estadunidense Donald Trump congelou o financiamento ao Plano de Emergência do Presidente dos EUA para o Alívio da Aids (PEPFAR). Em resposta, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS), quanto a Sociedade Internacional da Aids (IAS, na sigla em inglês) expressaram preocupação sobre a ameaça global levantada por essa medida. 

Segundo a OMS, a decisão, se prolongada, pode colocar em risco pessoas vivendo com HIV, além de reverter décadas de progresso, levando o mundo aos mesmo patamares de infecções e mortes das décadas de 1980 e 1990. “Estes programas proporcionam acesso a terapias contra o HIV que salvam vidas de mais de 30 milhões de pessoas em todo o mundo”, declarou Tedros Adhanom, diretor-geral da OMS, no X. “Apelamos ao governo dos EUA para que permita isenções adicionais para garantir a prestação de tratamento e cuidados vitais para o HIV.”

A IAS seguiu no mesmo tom. “É uma questão de vida ou morte”, disse Beatriz Grinsztejn, diretora da entidade, em comunicado. “Não faz sentido interromper repentinamente esse incrível catalisador do nosso progresso global em direção ao fim do HIV como uma ameaça à saúde pública e ao bem-estar individual.”

A medida já começa a gerar resultados preocupantes. Na Nigéria, estima-se que a manutenção dessa retirada de recursos possa retirar quase 400 milhões de dólares do sistema de saúde, enquanto na África do Sul ONGs já começaram a suspender serviços de HIV/Aids. 

O que é o PEPFAR e como ele afeta o Brasil?

O PEPFAR foi criado em 2003 e, desde lá, já recebeu mais de 110 bilhões de dólares em investimentos do governo norte americano, sendo o maior compromisso internacional de um país no combate a uma única doença. Além do fornecimento de retrovirais, medicamento utilizado pelos portadores do vírus para interromper a evolução da doença, o programa também promove o acesso a autotestes, profilaxia pré-exposição (PrEP) e medidas de conscientização. 

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Segundo a IAS, o PEPFAR foi responsável por salvar mais de 26 milhões de vidas, além de prevenir outras milhões de infecções em mais de 50 países. “A suspensão do PEPFAR também afeta diretamente o Brasil, onde o programa desempenha um papel fundamental no enfrentamento ao HIV”, disse a VEJA Alexandre Naime Barbosa, Chefe do Departamento de Infectologia da Unesp e coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). 

Por aqui, o programa tem contribuído com o fornecimento de serviços essenciais que ajudam a diminuir o número de novas infecções, como o acesso a autotestes e PrEP ou promoção de projetos informativos. Além disso, o PEPFAR também colabora com instituições brasileiras para o desenvolvimento de tecnologias e metodologias de prevenção e diagnóstico. 

Para o especialista, a decisão de Trump enfraquece a liderança global dos Estados Unidos na saúde pública e torna imperativo que o Brasil adquira maior robustez nesse setor. “A suspensão do financiamento ressalta a necessidade de alternativas mais sustentáveis para o enfrentamento ao HIV no Brasil”, diz Barbosa. “O momento exige maior articulação entre governo, sociedade civil e organizações internacionais para buscar recursos que mantenham as iniciativas em andamento.”

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