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Covid-19: tratamento com plasma é ineficaz no início da doença

Um novo estudo revelou que a transfusão não preveniu a progressão da doença em pacientes ambulatoriais de alto risco

Por Giulia Vidale Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 ago 2021, 18h36 • Atualizado em 4 jun 2024, 13h09
  • O plasma convalescente não é um tratamento eficaz no início da infecção pelo novo coronavírus em pacientes de alto risco. A conclusão é de um estudo publicado na quarta-feira, 18, na revista científica The New England Journal of Medicine. Os resultados de um teste clínico mostraram que a transfusão de plasma com alto nível de anticorpos na primeira semana de sintomas não reduziu a progressão da doença nesses pacientes. Inclusive, a conclusão levou à interrupção do estudo em fevereiro de 2021.

    “Esperávamos que o uso de plasma convalescente alcançasse pelo menos uma redução de 10% na progressão da doença neste grupo, mas em vez disso, a redução que observamos foi inferior a 2%. Isso foi surpreendente para nós. Como médicos, queríamos que isso fizesse uma grande diferença na redução de doenças graves, mas não fez”, lamentou Clifton Callaway, principal investigador do estudo e professor de medicina de emergência na Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos.

    O plasma convalescente é o plasma sanguíneo com alto níveis de anticorpos contra o novo coronavírus, doado por pacientes que se recuperaram da Covid-19. No início da pandemia o tratamento apareceu como uma opção promissora. Tanto que a FDA, agência que regula medicamentos nos EUA, emitiu uma autorização de uso emergencial para permitir o uso de plasma em pacientes hospitalizados com Covid-19.

    No entanto, acreditava-se que o tratamento teria maior impacto em pacientes no início dos sintomas, já que a função dos anticorpos neutralizantes é impedir a entrada do SARS-CoV-2 nas células. O estudo C3PO, lançado em agosto de 2020, foi projetado para responder a essa pergunta.

    O ensaio clínico randomizado e controlado, considerado o padrão-ouro dos testes clínicos, avaliou 500 voluntários, de 48 departamentos de emergência nos Estados Unidos, com, em média, 54 anos de idade. Todos tinham pelo menos um fator de risco para complicações da Covid-19, incluindo obesidade, hipertensão, diabetes, doença cardíaca ou doença pulmonar crônica. Os participantes foram aleatoriamente divididos em dois grupos: os que receberam tratamento com plasma com alto nível de anticorpos e os que receberam o placebo composto por uma solução salina infundida com multivitaminas.

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    Após 15 dias da administração do tratamento, os pesquisadores compararam os desfechos em ambos os grupos, observando especificamente se esses pacientes foram internados no hospital ou morreram. Os resultados mostraram que não houve diferença significativa na progressão da doença entre os dois grupos. Dos 511 participantes, a progressão da doença ocorreu em 77 (30%) no grupo de plasma em comparação com 81 pacientes (31,9%) no grupo de placebo.

    Ainda não se sabe porque o tratamento não produziu os resultados esperados. As hipóteses incluem dose insuficiente de plasma, tempo de administração do tratamento, fatores relacionados ao paciente ou outros aspectos das respostas do organismo do paciente associados à infecção.

    Vale ressaltar que os resultados desse estudo não representam o fim da esperança na eficácia deste tipo de tratamento Outros estudos com o uso de plasma no tratamento e prevenção da Covid-19 estão em andamento, com resultados esperados em breve. “Precisamos dos resultados desses outros estudos de plasma convalescente para obter uma imagem mais clara e conclusiva de seu valor para futuros tratamentos da Covid-19”, disse Simone Glynn, chefe do ramo de Epidemiologia do Sangue e Terapêutica Clínica do Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue (NHLBI, na sigla em inglês), que coordenou o estudo.

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