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Conheça as 10 bactérias mais estudadas nos laboratórios – e as inúmeras ignoradas

Quase três quartos de todos os microrganismos conhecidos nunca foram investigados em profundidade

Por Luiz Paulo Souza Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 28 jan 2025, 14h07 - Publicado em 28 jan 2025, 08h00

As bactérias estão entre os primeiros microrganismos a surgirem na Terra, há cerca de 3,5 bilhões de anos. Seu sucesso foi tamanho que, hoje, elas não somente continuam por aqui como estão por toda parte e são essenciais para a evolução do planeta e para a sobrevivência dos seres vivos. Um estudo divulgado agora, contudo, revela que, do ponto de vista científico, esse ainda é um mundo a ser explorado. 

De acordo com um artigo pré-print, disponibilizado no repositório bioRxiv, enquanto dez espécies bacterianas, sozinhas, equivalem a metade de todas as publicações científicas sobre microrganismos, quase três quartos de todas as bactérias conhecidas não tem nenhum artigo a respeito delas. “Nós aprendemos muito sobre um pequeno número de espécies”, diz Paul Jensen, autor do estudo, em entrevista à Nature

Quais são as dez bactérias mais estudadas?

De fato, apenas uma espécie, a famosa Escherichia coli, corresponde a mais de 20% de todos os artigos publicados. E há uma razão para isso. “As bactérias mais estudadas causam uma infinidade de problemas e são muito mais frequentes, talvez por isso elas chamem mais atenção”, diz Clara Bastos, pesquisadora de doutorado em biologia celular, molecular e bioagentes patogênicos da Universidade de São Paulo (USP). São elas:

  • Escherichia coli – 21%
  • Staphylococcus aureus – 8,8%
  • Pseudomonas aeruginosa – 4,9%
  • Mycobacterium tuberculosis – 3,9%
  • Helicobacter pylori – 3,0%
  • Bacillus subtilis – 2,4%
  • Klebsiella pneumoniae – 2,0%
  • Streptococcus pneumoniae – 1,9%
  • Listeria monocytogenes – 1,4%
  • Haemophilus influenzae – 1,2%

A maior parte dessas bactérias, como explicado, é responsável por complicações comuns e há muito conhecidas pela humanidade, como tuberculose e infecções respiratórias, intestinais ou sexualmente transmissíveis. 

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Isso, por si só, justifica o grande número de estudos a respeito dessas bactérias. A questão, contudo, é que das 43 mil espécies conhecidas, cerca de 74% nunca foi investigada em profundidade. “Um dos problemas disso é que muitos microrganismos patogênicos são subnotificados por não serem conhecidos ou identificados a tempo”, explica Bastos. 

E isso não passa apenas pelos pesquisadores. Na ciência, de maneira geral, é preciso conseguir financiamento para conduzir pesquisas e, para isso, os cientistas são obrigados a convencer agências e empresas de que aquela investigação é relevante – algo que reforça a construção de conhecimento a respeito daquilo que já é estudado e desestimula a pesquisa científica sobre organismos ainda pouco conhecidos. 

Por que estudar bactérias pouco famosas?

O estudo realizado por Bastos é um exemplo disso. Ela investiga um microrganismo conhecido como Chromobacterium violaceum. Na plataforma Pubmed, a mesma utilizada por Jansen para fazer o levantamento, existem apenas 1215 artigos sobre essa bactéria – a critério de comparação, a Coxiella burnetti, 50ª na lista de mais estudadas, tem mais de 4 mil. 

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Mas por que investigar a “Chromo”, como foi apelidada pelo grupo que a pesquisadora compõe? Hoje, essa é uma infecção considerada rara em humanos, mas quando ocorre, apresenta uma alta taxa de mortalidade. “Estima-se que muitos casos não são notificados, já que é possível que a pessoa venha a óbito antes que se descubra sobre a infecção”, explica a pesquisadora.

E isso também vale para outros microrganismos. Segundo o autor, muitas das bactérias presentes no microbioma de humanos saudáveis não figuram entre os mais estudados. “Nenhum dos microrganismos dominantes da natureza está na lista”, diz Jansen. “Isso é um problema.”

Uma maior investigação sobre eles só será benéfica. Além de revelar detalhes sobre os microrganismos que fazem mal para humanos, animais e plantas, um conhecimento melhor desses seres – que, importante ressaltar, estão em todos os lugares – também pode beneficiar outros seres vivos, o equilíbrio dos microbiomas e até processos industriais. 

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