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CFM pede suspensão de uso de PMMA como preenchimento à Anvisa

Requerimento considera danos à saúde para pacientes submetidas a procedimentos estéticos com produto; tratamento de complicações causa sequelas irreversíveis

Por Paula Felix Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 jan 2025, 20h02

O Conselho Federal de Medicina (CFM) apresentou na tarde desta terça-feira, 21, um pedido para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspenda a fabricação e comercialização de preenchedores à base de polimetilmetacrilato, o PMMA, no Brasil. O uso do produto se popularizou em procedimentos estéticos principalmente na região dos glúteos e nos lábios, e, nos últimos anos, esteve associado a graves complicações que deixaram sequelas e causaram até a morte de pacientes.

Em uma reunião realizada com membros da agência, foi entregue um documento sobre os riscos associados ao uso substância injetável para preenchimento, além de posicionamentos de entidades médicas, como as sociedades brasileiras de Dermatologia (SBD) e Cirurgia Plástica (SBCP), sobre eventos adversos de tratamentos estéticos emitidos ao longo de quase 20 anos.

“As tentativas de alerta e regulamentação empreendidas por sociedades médicas de especialidade, pelo CFM e pela Anvisa ao longo de mais de 18 anos têm se mostrado infrutíferas, sendo incapazes de restringir o uso de produtos à base de PMMA a pequenas quantidades e com fins reparadores. O uso em grandes volumes e com fins estéticos vem aumentando vertiginosamente, inclusive por profissionais não médicos, causando imenso dano à população”, afirma a entidade no documento.

Segundo o CFM, o PMMA pode desencadear reações inflamatórias ao longo da vida dos pacientes e o procedimento para remoção do material é complexo, deixando sequelas permanentes. Isso porque ele se funde ao tecido saudável, que também acaba sendo retirado durante a cirurgia, resultando em sulcos no músculo e outros danos. Imagens fortes das operações foram anexadas ao conteúdo.

“Por todos os estudos e guidelines, infere-se que o PMMA é um material não reabsorvível e permanente, que apresenta complicações frequentemente observadas anos após sua aplicação, incluindo formação de nódulos, granulomas, processos inflamatórios crônicos, embolias, necroses teciduais, infecções persistentes, hipercalcemia, insuficiência renal, deformidades irreversíveis e até mortes”, diz um posicionamento da SBCP de novembro do ano passado incluído no documento.

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Embora casos de complicações e mortes sejam divulgados de tempos em tempos, o CFM afirma que ainda há subnotificação e subdiagnóstico de problemas relacionados aos preenchimentos.

Além de recusar o uso de PMMA, os pacientes também devem ficar atentos ao realizar procedimentos estéticos e sempre buscar profissionais habilitados, pois há relatos de pessoas submetidas a preenchimentos com a substância sem terem ciência do produto utilizado.

“Desconfie de preços muito abaixo do mercado, pois pode ser um indício que a substância que será utilizada não é de qualidade. Além disso, tire todas as suas dúvidas com o médico, pergunte qual produto será utilizado e peça para ver o rótulo e a seringa antes da aplicação”, recomenda a dermatologista Mônica Aribi, sócia efetiva da SBD.

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Quando o PMMA pode ser usado?

De acordo com o CFM, há duas situações em que o PMMA pode ser aplicado. Na correção  de volume facial e corporal causadas por sequelas de algumas doenças, como a poliomielite (paralisia infantil) e na correção de lipodistrofia, uma alteração no organismo que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo. Este segundo caso pode ocorrer em pessoas que vivem com HIV e fazem tratamentos com medicamentos antirretrovirais.

O órgão esclarece que a suspensão da substância não deixaria esses pacientes sem opções de tratamento, tendo em vista que há outras opções que poderiam ser adotadas.

“O tratamento padrão-ouro utilizado em todo mundo consiste no uso de substâncias de preenchimento mais modernas e com melhor perfil de segurança, tais como o ácido polilático, a hidroxiapatita de cálcio e a lipoenxertia autóloga. O uso do PMMA como preenchedor em paciente com HIV/Aids vem sendo abandonado em favor de produtos mais seguros e, atualmente, tem seu uso restrito a poucos centros de referência no Brasil, vinculados ao Sistema Único de Saúde (SUS)”, explica.

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