Datas: David José, Chris Dreja e José de Paiva Netto
As despedidas que marcaram a semana
A televisão brasileira ainda engatinhava e havia um sonho entre os precursores da dramaturgia na tela: levar ao ar o Sítio do Picapau Amarelo, o clássico infantojuvenil de Monteiro Lobato. E então, em 1952, a escritora Tatiana Belinky e o diretor Júlio Gouveia foram convidados pela TV Tupi para a empreitada. A série era exibida às quintas-feiras, às 19h30, de vez em quando com um pouquinho de atraso — ao vivo, porque não havia técnicas de gravação. As cenas, como teatro, ocorriam em um cenário fixo, a varanda do casarão. O começo foi claudicante, difícil mesmo, até que em 1955 o sucesso deu as caras, já com recursos mais aprimorados.
O programa seria exibido até 1963. Não demorou para que a audiência se apaixonasse pela candura de Pedrinho, interpretado por David José, de 12 anos, a primeira encarnação do personagem — e que ajudaria a moldá-lo nas outras duas versões para TV, nos anos 1970 e 2000. A Narizinho de Edy Cerri também era querida, mas um tantinho menos. José, que começara no teatro, seguiria carreira artística, de mãos dadas com a formação acadêmica, porque todo Pedrinho cresce. Estudou ciências sociais na USP e depois fez pós-graduação na Universidade de Nanterre, na França. Morreu em 7 de outubro, aos 83 anos, de complicações pulmonares.
A base para o sucesso
Bastante influenciada pelo blues, a banda britânica The Yardbirds, criada em 1962 e que em sua primeira encarnação viveu até 1968, para retornar como farsa nos anos 1990, marcou época na cena inglesa e sempre será lembrada por ter entre seus integrantes, em momentos distintos, três dos maiores guitarristas da história: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page. Os solistas brilhavam porque, na cozinha, havia a firmeza da guitarra-base de Chris Dreja, fundador do grupo. Enquanto os holofotes iluminavam os parceiros, ele segurava a pegada rítmica, autorizando os voos dos companheiros. Morreu em 25 de setembro, aos 78 anos, de doença pulmonar obstrutiva, mas a notícia só foi anunciada na semana passada.
Tudo pela filantropia
A Legião da Boa Vontade, criada em 1950, é uma das mais celebradas entidades filantrópicas do Brasil, aplaudida pelo mundo. Desde 1979, a entidade era presidida pelo jornalista e escritor José de Paiva Netto. Em 1989, ele inaugurou em Brasília o Templo Ecumênico, centro de peregrinação que atrai dezenas de milhares de pessoas todos os anos. Nos anos 2000, ele fundaria o Fórum Mundial Espírito e Ciência, promovido pela LBV. O evento se consolidou como o maior movimento internacional dedicado à integração entre espiritualidade e ciência. Paiva Netto morreu em 7 de outubro, aos 84 anos.
Publicado em VEJA de 10 de outubro de 2025, edição nº 2965







