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Polícia Federal conclui inquérito dos hackers da Vaza Jato

Investigação aponta que invasores roubaram e divulgaram conversas privadas de autoridades da República

Por Thiago Bronzatto Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 19 dez 2019, 09h39 • Atualizado em 19 dez 2019, 20h55
  • A Polícia Federal concluiu a investigação dos hackers que invadiram e roubaram mensagens de celular de autoridades da República e integrantes da Operação Lava-Jato. Após seis meses de apurações, foram indiciados Danilo Cristiano Marques, Gustavo Elias Santos, Luiz Henrique Molição, Suelen Priscila de Oliveira, Thiago Eliezer Martins Santos e Walter Delgatti Neto. Eles responderão por crimes que variam desde organização criminosa à invasão de dispositivo informático alheio e interceptação ilegal de comunicações telemáticas. A tendência agora é que o Ministério Público Federal apresente à Justiça uma denúncia contra os envolvidos no esquema — que poderão se tornar réus e responder a uma ação penal.

    Após a conclusão do inquérito, a Polícia Federal deverá continuar a investigação em outras duas frentes. A primeira irá apurar os indícios de golpes aplicados pelos hackers em clientes de instituições financeiras. Já a segunda terá como foco descobrir se há um mandante ou um financiador por trás das invasões. O caso teve de ser concluído neste momento, porque o prazo concedido pela Justiça se esgota nesta semana e quatro dos seis envolvidos no esquema estão presos preventivamente sem uma acusação formal.

    O inquérito foi instaurado em junho deste ano após o ministro da Justiça Sergio Moro e outras autoridades terem as suas contas no aplicativo de mensagens Telegram hackeadas. A partir daí, a diretoria de inteligência da Polícia Federal iniciou as apurações para descobrir quem estava por trás desses ataques virtuais. Em pouco tempo, foi identificado que a origem das invasões estava numa empresa de chamadas telefônicas no interior de Minas Gerais. Após ter feito uma incursão no local, a PF descobriu como funcionava o esquema e quem eram os seus operadores. Em julho, foi deflagrada a Operação Spoofing, que prendeu quatro suspeitos em Araraquara e Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

    A investigação analisou o material apreendido e constatou que ao menos três dos quatro jovens detidos atuavam em invasões de celulares de autoridades da República e aplicavam golpes em clientes de instituições financeiras. Para apurar a motivação desses ataques, o delegado federal Luis Flávio Zampronha analisou movimentações bancárias dos envolvidos, mensagens de celulares apreendidos, arquivos extraídos de computadores, e-mails e as relações com outros personagens.

    Diante das evidências da participação de novos personagens, a Polícia Federal deflagrou em setembro a segunda fase da Operação Spoofing — e prendeu mais dois suspeitos. Os investigadores passaram a apurar se havia um mentor por trás das invasões do Telegram e se os envolvidos no esquema estavam escondendo mensagens inéditas. Um dos integrantes da quadrilha, o estudante Luiz Henrique Molição, confessou que hackeou, junto com o seu colega de faculdade Walter Delgatti Neto, as conversas de autoridades da República.

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    Em delação premiada assinada com a Polícia Federal e homologada pela Justiça, Molição contou que os ataques eram feitos por meio de um celular clandestino, entregue aos investigadores, e que o seu parceiro de crime tentou vender as mensagens roubadas, mas não teve sucesso. O colaborador ainda entregou o nome de mais três personagens envolvidos nos golpes. Um deles teria uma ligação com o ex-ministro Antonio Palocci.

    Ao todo, foram alvos das investidas dos hackers mais de 80 figuras públicas. Entre as vítimas, estão: os filhos do presidente Jair Bolsonaro, ministros do governo, membros do Judiciário, parlamentares e celebridades. Em entrevista exclusiva a VEJA, Delgatti contou que teve acesso até mesmo a um suposto vídeo de uma execução de um jovem enviado ao general Walter Braga Netto, quando era interventor do Rio de Janeiro. “O rapaz matou, gravou e enviou a imagem ao general. Ele xingou. Abre aspas: ‘Usando o celular no combate. Está ficando louco?’. Foi isso que eu vi”, afirmou. Procurado, o Exército informou que o “assunto é de inteiro desconhecimento”.

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