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Militares temem insultos e recebem ato do 8 de Janeiro como provocação

Evento que acontecerá no Palácio do Planalto nesta quarta terá participação do PT e de movimentos de esquerda

Por Marcela Mattos Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 7 jan 2025, 22h12 - Publicado em 7 jan 2025, 15h33

Caiu muito mal dentro da caserna o ato organizado pelo governo Lula para marcar os dois anos do 8 de Janeiro de 2023, quando uma turba de vândalos invadiu e depredou as sedes do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF).

Nesta quarta-feira, 8, haverá uma solenidade no Planalto para relembrar o episódio. O roteiro da cerimônia prevê o descerramento do quadro As Mulatas, de Di Cavalcanti, e a entrega de obras de arte restauradas após os ataques.

Na sequência, o presidente Lula e os demais participantes devem se reunir no Salão Nobre do Planalto e descer a rampa, encontrando apoiadores do PT e de movimentos de esquerda para um abraço simbólico na Praça dos Três Poderes.

Representantes do Legislativo e do Judiciário devem participar, mas os principais caciques, como os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e as demais lideranças do Congresso não confirmaram presença ou não irão comparecer. Há um temor de que o ato deixe de ser um evento institucional para se transformar em um palanque para o governo.

Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica foram convidados e confirmaram presença. Eles ainda não sabem se terão de seguir o roteiro completo previsto pelo cerimonial, mas calcularam os efeitos da participação e o risco de haver insultos por parte de aliados do governo e de manifestantes na Praça dos Três Poderes. O maior receio é que eles sejam hostilizados durante o evento.

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A cerimônia acontece em meio aos inquéritos que investigam uma tentativa de golpe de Estado no país após a derrota de Jair Bolsonaro, movimento que contou com a participação de militares da ativa e da reserva, e a conexão da trama golpista com os ataques do 8 de Janeiro.

Dentro das Forças, há uma reclamação generalizada com a demora da conclusão dos inquéritos, o que deixa todos os militares em constante suspeição. Além disso, há um desconforto em tornar o 8 de Janeiro um evento recorrente do calendário político. De acordo com um importante general, a melhor solução para marcar a data seria o STF “pegar quem errou e jogar o peso da lei em cima”, e não realizar cerimônias ao lado de movimentos sociais, o que pode servir para insuflar os ataques aos fardados.

A avaliação é que o evento pode provocar um novo esgarçamento na relação entre o governo e as Forças Armadas – que, apesar de nunca ter sido das melhores, vinha dando sinais de aproximação. Enquanto militares de alta patente, como o general e ex-ministro de Bolsonaro Walter Braga Netto, estão presos, a atual cúpula militar tenta se descolar dessa ala e defende a punição de todos os envolvidos na trama golpista. Por isso, eventuais constrangimentos neste momento são vistos internamente como desnecessários.

 

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