Anistia é gesto de pacificação, mas quem participou deve ser punido, diz Temer sobre 8/1
Ex-presidente afirmou, em live de VEJA, que a 'pacificação é constitucional' e que o próprio STF poderia 'modular' as penas dos golpistas
O ex-presidente Michel Temer foi o entrevistado do programa Os Três Poderes, de VEJA, nesta sexta-feira, 10. O político tratou de diversos assuntos, desde declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passando pela possível anistia dos golpistas que participaram dos atos de 8 de janeiro de 2023, chegando até a atuação do ministro do STF Alexandre de Moraes.
Ao tratar do projeto que está parado na Câmara e trata do perdão da pena dos manifestantes antidemocráticos que depredraram os prédios dos Três Poderes, em Brasília, Temer afirmou que “essa história de pacificação é uma determinação constitucional” e que “anistia sempre é um gesto de pacificação”, mas que “não pode ser uma anistia para ‘despunir’ aqueles que foram punidos”.
O ex-presidente ressaltou que “não há dúvida que aqueles que praticaram aqueles gestos insanos do 8 de Janeiro tinham que ser punidos”, mas que “muitas vezes se discute que houve exagero na pena”.
“Penso eu que até, e seria o mais útil, que o próprio STF pode fazer isso, em face de manifestações que venham a ser propostas pelos punidos, de maneira a modular a própria penalidade, ou seja, não fica sem punição, mas não é aquela punição mais alongada. Acho que este é o tema que poderia ser tratado”, disse o político.
“Agora, é um tema que o Congresso vai examinar – e não será fácil para o Congresso. Como a democracia está muito consolidada no país, há muita crítica, muita objeção, a esta anistia plena. Se vier uma coisa modular, especialmente pelo Supremo, talvez a população admita”, completou Temer.
O programa desta sexta foi apresentado por José Benedito, com comentários de Robson Bonin, Ricardo Rangel e Marcela Mattos.