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A simbologia e os recados de uma foto sobre a reforma ministerial

Relação histórica do ministro Ricardo Lewandowski com Lula é fator preponderante para o manter o ministro no cargo, apesar do assédio do Centrão

Por Laryssa Borges Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 26 jan 2025, 19h06

O ministro da Justiça Ricardo Lewandowski pouco se destacava entre as mais de 40 autoridades convocadas para posar para a foto da primeira reunião ministerial de 2025, na segunda-feira, quando recebeu um pedido: deixar a extrema esquerda do quadro, onde se posicionavam líderes governistas no Congresso e o ex-chanceler Celso Amorim, e se colocar próximo ao presidente.

Na simbologia da política, pelo que o cargo representa, ao ministro da Justiça usualmente seria reservada uma posição de destaque no enquadramento oficial, mas interlocutores do Executivo viram na deferência algo a mais: um sinal de prestígio em meio a pressões de partidos do Centrão para que, na iminente reforma do primeiro escalão, ex-juiz do Supremo Tribunal Federal perca o cargo.

Coincidência ou torcida, a ministra da Saúde Nísia Trindade, também com a cabeça a prêmio em uma eventual dança de cadeiras, posou para a fotografia ao lado de Lewandowski e ainda mais próxima de Lula – apenas Rui Costa, chefe da Casa Civil e braço direito do presidente, a separava do mandatário. Como mostrou VEJA, a prioridade mais imediata do novo ministro da Secretaria de Comunicação Sidônio Palmeira tem como foco a pasta de Nísia e envolve campanhas e informativos sobre o combate à dengue.

Imexível? O que segura Ricardo Lewandowski no governo

Estreante em cargos executivos, como chefe da Justiça Ricardo Lewandowski se deu como prioridade colocar de pé um plano eficaz de segurança pública, tema que aparece entre as primeiras preocupações do eleitor. O ministro comprou briga com governadores ao apresentar uma proposta de emenda constitucional que impunha diretrizes nacionais para políticas de combate à violência e apanhou de adversários ao defender o uso preferencial de armas não letais em abordagens policiais. Ainda assim, não são poucos os integrantes do governo que consideram o ministro indemissível, em boa parte por um enorme senso de gratidão de Lula, a quem conhece há décadas.

Antes de ocupar a pasta da Justiça, Lewandowski foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) por 17 anos e foi responsável, por exemplo, por antagonizar com Joaquim Barbosa no julgamento do escândalo do mensalão, avalizar a interpretação jurídica que permitiu à ex-presidente Dilma Rousseff não ser punida com a inelegibilidade no processo de impeachment e, mais recentemente, autorizar que a defesa de Lula tivesse acesso a mensagens hackeadas da Lava-Jato que, tempos depois, sedimentariam o retorno do presidente à vida pública.

Por ora, a gratidão de Lula – e de certa forma o cordão de isolamento de integrantes do governo contra o assédio de partidos do Centrão – ainda mantêm firme o ex-juiz do STF no posto.

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