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A incerteza sobre o futuro de José Múcio, alvo constante do fogo amigo petista

Ministro da Defesa manifestou desejo de deixar o cargo ao presidente, que resiste à ideia de fazer a troca na esperada reforma ministerial

Por Ricardo Chapola
Atualizado em 6 jan 2025, 11h09 - Publicado em 5 jan 2025, 16h25

É de conhecimento do presidente Lula o desejo do ministro da Defesa, José Múcio, de deixar o governo. No fim de 2024, os dois conversaram sobre o assunto. Na ocasião, o ministro se comprometeu a deixar com o chefe uma lista com três indicações de nomes gabaritados para substituí-lo. Já o mandatário teria ficado contrariado com a pretensão do auxiliar de abandonar o barco. Eventual demissão, se ocorrer, deve ser realizada no âmbito da esperada reforma ministerial.

O presidente e o ministro são companheiros de longa data. Múcio foi o responsável pela articulação política no segundo mandato do petista. Em 2023, deixou a aposentadoria de lado para assumir a espinhosa tarefa de pacificar as relações entre Lula e as Forças Armadas, que tiveram quadros capturados politicamente pela gestão de Jair Bolsonaro e, como demonstraram as investigações da Polícia Federal, envolvidos numa trama golpista para manter o capitão no poder.

Leia também: Reforma ministerial: saída de Lewandowski pode ser solução para Múcio e Pacheco

Desde a sua posse no cargo, Múcio sofre com o fogo amigo. Na esteira da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes, em janeiro de 2023, petistas influentes defenderam a sua demissão da Defesa e sugeriram que ele fosse substituído pelo vice-presidente Geraldo Alckmin. O ministro resistiu à fritura. Em conversas reservadas, costuma alegar que os ataques do PT, cuja imagem não é das melhores entre os militares, fortalecem-no no posto. Ele argumenta ainda que sua missão não é agradar a legenda, mas aparar arestas entre Lula e a caserna, o que tem sido feito, como reconhece o próprio chefe.

Resistente

Como há muita gente interessada na reforma ministerial e poucos quadros dispostos a abrir mão das vagas, intensificaram-se as pressões pela substituição de ministros sem lastro partidário ou que são alvo de críticas de integrantes da aliança governista. Múcio não foi indicado por nenhuma sigla e, portanto, está enquadrado nesse perfil. Sua saída, segundo políticos, abriria espaço para que Lula pudesse reorganizar seu elenco, dando mais poder a líderes partidários.

Com cinco mandatos de deputado federal no currículo, Múcio sabe dessas pressões e sairia sem reclamar. Ele sempre deixou o cargo à disposição. Sempre esteve preparado para deixar a pasta. Sempre brincou que está para ser demitido. Mas, até aqui, sempre contou também com o apoio de Lula, detentor da caneta que nomeia e demite. Não será surpresa se o presidente segurar, mais uma vez, o mais “demissionário” de seus auxiliares, que tinha férias previstas para janeiro, mas, segundo sua assessoria, resolveu ficar trabalhando em Brasília.

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