O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefonema nesta terça-feira, 27, com o seu homólogo da França, Emmanuel Macron, sobre o Conselho de Paz para Gaza, um órgão internacional criado pelos Estados Unidos. A iniciativa tem sido criticada por enfraquecer o papel das Nações Unidas -- uma questão abordada na ligação entre os dois líderes."Os dois líderes conversaram sobre a proposta de Conselho de Paz apresentada pelos Estados Unidos. Defenderam, a esse respeito, o fortalecimento das Nações Unidas e coincidiram em que iniciativas em matéria de paz e segurança devem estar alinhadas aos mandatos do Conselho de Segurança e aos princípios e propósitos da Carta da ONU", disse o Palácio do Planalto em comunicado.Até o momento, Arábia Saudita, Argentina, Armênia, Azerbaijão, Bahrein, Belarus, Catar, Cazaquistão, Egito, Emirados Árabes Unidos, Hungria, Indonésia, Israel, Jordânia, Kosovo, Kuwait, Marrocos, Paraguai, Paquistão, Turquia, Uzbequistão e Vietnã aceitaram participar do Conselho. O Brasil ainda não respondeu ao convite do presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto Macron negou.Lula e Macron também trataram da questão da Venezuela, alvo de uma operação americana que levou à deposição do ditador Nicolás Maduro em 3 de janeiro. Eles condenaram "o uso da força em violação do direito internacional" e "concordaram a respeito da importância da paz e da estabilidade na América do Sul e no mundo". Horas após a intervenção dos EUA em Caracas, Lula advertiu que "a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz".Os presidentes conversaram, ainda, sobre o acordo entre União Europeia (UE) e Mercosul -- um ponto de discórdia entre os dois, uma vez que Macron é contrário ao pacto, criticado por ele por trazer benefícios econômicos "limitados" à Europa, não justificando "expor setores agrícolas sensíveis" e ameaçar a "soberania alimentar". Na semana passada, o Parlamento Europeu votou a favor do encaminhamento do acordo comercial UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça da União Europeia para revisão de sua legalidade."O presidente Lula reafirmou sua visão de que o Acordo MERCOSUL - União Europeia é positivo para os dois blocos e constitui uma importante contribuição para a defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras", acrescentou a nota."O presidente Lula e o presidente Macron também deram seguimento ao diálogo frequente que mantêm sobre a cooperação bilateral, em especial nos temas de defesa, ciência e tecnologia e energia. A esse respeito, comprometeram-se a instruir suas equipes técnicas a ultimar as negociações em curso, com vista à conclusão de acordos ainda no primeiro semestre de 2026", concluiu.