A China executou 11 membros de uma organização criminosa conhecida por administrar centros de fraude cibernética em Mianmar nesta quinta-feira, 29. Informações divulgadas pela agência de notícias estatal Xinhua apontam que os integrantes da notória família Ming foram responsáveis pela morte de 14 cidadãos chineses e para a lesão de "muitos outros".Os criminosos haviam sido condenados à morte por um tribunal da cidade de Whenzhou, no leste chinês, no mês de setembro. A corte apontou que os indivíduos estavam envolvidos em uma série de crimes desde 2015, incluindo homicídio doloso, detenção ilegal, lesões intencionais, fraude e estabelecimento de cassinos. Na ocasião, a pena capital foi aprovada pelo Supremo Tribunal Popular, que considerou as evidências apresentadas "conclusivas e suficientes".+ China condena à morte 11 membros de máfia ligada a fraudes e assassinatosDe acordo com a Xinhua, parentes dos criminosos foram autorizados a se reunir com eles antes da execução. Além dos 11 condenados à morte, outros 28 integrantes da família Ming foram submetidos a penalidades em setembro, com sentenças variando entre cinco anos de cárcere até a prisão perpétua. Os vereditos foram resultado direto dos esforços promovidos por Pequim para acabar com as instalações estabelecidas em Mianmar.Centros de fraudeNos últimos anos, diversos complexos fraudulentos proliferaram na nação asiática, compondo uma intrincada indústria ilegal que movimenta bilhões de dólares. Para manter suas atividades, os criminosos empregam mão de obra estrangeira, incluindo muitos chineses. Esses imigrantes denunciam que foram vítimas de tráfico, sendo levados até os centros de fraude e obrigados a enganar pessoas pela internet.+ Centros de golpe no Camboja: a suposta morte de um estudante por tortura que comove a Coreia do SulDiversas quadrilhas se destacaram nesse ambiente ilícito, e a família Ming foi uma das mais proeminentes. Em seu auge, conseguiu transformar a cidade de Laukkaing, localizada na fronteira com a China, em um polo de jogos, drogas e golpes digitais, abrigando cerca de dez mil trabalhadores em condições abusivas. Um dos complexos mais temidos no local era conhecido como "Vila do Tigre Agachado", onde as vítimas eram submetidas a torturas e espancamentos.Seu domínio teve fim em 2023, quando milícias étnicas apoiadas pela China tomaram o controle de Laukkaing e extraditaram os envolvidos. O episódio foi uma forte sinalização da disposição chinesa em reduzir esse tipo de crime, com a pressão levando outros países, como a Tailândia, a desmontar esquemas semelhantes. Ainda assim, diversos centros de fraude cibernética sobreviveram, com muitos mudando suas operações para nações vizinhas, como o Camboja.