Em meio a uma crise diplomática por ameaças do presidente americano, Donald Trump, de uma eventual tomada de território, representantes de Groenlândia e Dinamarca se reuniram nesta quarta-feira, 28, com autoridades dos Estados Unidos, informou o Ministério das Relações Exteriores dinamarquês.Em comunicado enviado à agência de notícias Reuters, a chancelaria dinamarquesa afirmou que a reunião mira "discutir como podemos abordar as preocupações americanas sobre segurança no Ártico, respeitando as linhas vermelhas do Reino".A Groenlândia, rica em recursos naturais, é um território autônomo que integra o Reino da Dinamarca. Tanto o governo dinamarquês quanto as autoridades locais reiteram que a ilha não está à venda e que sua soberania não é objeto de negociação, embora mantenham abertura para diálogos sobre cooperação militar e desenvolvimento econômico.+ Groenlândia: quanto os EUA já pagaram para comprar territórios estrangeirosMais cedo, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Washington já tem um processo em vigor em relação à ilha e que haverá reuniões técnicas com autoridades da Groenlândia e da Dinamarca sobre o assunto.A tensão aumentou após Trump afirmar na quinta-feira, 22, que teria garantido “acesso total e permanente” dos Estados Unidos à Groenlândia, após conversas com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte. O presidente americano também se recusou, nos últimos dias, a descartar o uso de força militar para obter o controle da ilha e anunciou tarifas contra países europeus que se opusessem à ideia. A crise começou a esfriar nesta semana, depois que Trump retirou a ameaça militar e suspendeu as tarifas anunciadas.A presença militar americana na Groenlândia já é permitida por acordos históricos, como o tratado de 1951, embora hoje esteja restrita a uma base de pequeno porte.Poucos detalhes sobre o pacto são conhecidos até o momento, mas Trump garantiu a jornalistas que os Estados Unidos obtiveram "tudo o que buscavam" e "para sempre". De acordo com a mídia americana, os termos incluem a concessão de porções do território aos americanos, onde poderão construir bases militares soberanas, e o ocupante do Salão Oval sugeriu que envolveria o acesso a riquezas minerais e a colaboração da Europa na construção do Domo de Ouro, um o sistema antimísseis.+ Em meio a ameaças de Trump, premiê da Dinamarca visita Groenlândia: ‘Momento difícil’A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, explicou que o trabalho continuaria em "dois eixos": um centrado na Otan e outro nas relações da Dinamarca e da Groenlândia com os Estados Unidos. Sobre a aliança militar transatlântica, ela afirmou que todos os seus integrantes concordam "com a necessidade de uma presença permanente da Otan na região ártica". Mas não deu quaisquer detalhes sobre o segundo eixo.Segundo uma fonte próxima às negociações entre Trump e Rutte, ouvida pela agência de notícias AFP, Estados Unidos e Dinamarca vão renegociar seu acordo de defesa de 1951 sobre a Groenlândia, que permitiu o estabelecimento de uma base militar americana permanente lá. No entanto, esta autoridade descartou que a ideia de adicionar mais bases sob a soberania de Washington tenha sido abordada.A Groenlândia quer continuar "um diálogo pacífico" sobre seu futuro, mas com respeito a seu "direito à autodeterminação", afirmou Nielsen, que voltou a enfatizar que, caso sua população tenha de escolher entre permanecer uma terra dinamarquesa ou se unir aos Estados Unidos, "escolhemos o Reino da Dinamarca, escolhemos a União Europeia, escolhemos a Otan".