Zelensky propõe troca de prisioneiros norte-coreanos por soldados da Ucrânia presos na Rússia
Presidente ucraniano publicou no sábado fotos de dois soldados da Coreia do Norte capturados

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se disse disposto no domingo, 12, a entregar dois soldados norte-coreanos capturados por tropas ucranianas na região russa de Kursk em troca de prisioneiros de guerra ucranianos detidos na Rússia.
“A Ucrânia está disposta a entregar a Kim Jong-un seus soldados, caso ele organize uma troca por nossos combatentes detidos na Rússia”, escreveu Zelensky no X, antigo Twitter, citando nominalmente o líder norte-coreano. “Para os soldados norte-coreanos que não desejam retornar, pode haver outras opções disponíveis. Em particular, aqueles que expressarem o desejo de trazer a paz para mais perto, espalhando a verdade sobre esta guerra em coreano, terão essa oportunidade”.
No sábado, Zelensky postou fotos dos dois soldados capturados, mostrando um deles com a cabeça e o queixo enfaixados, enquanto o outro tinha as duas mãos completamente enfaixadas.
O Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) disse que um dos dois soldados disse a oficiais que pensou que estava indo para a Rússia para “treinamento”, em vez de lutar. Ele foi encontrado com uma carteira de identidade militar russa emitida em nome de outra pessoa. O outro soldado não tinha documentos. As informações foram corroboradas pelo Serviço de Inteligência Nacional da Coreia do Sul.
A Rússia e a Coreia do Norte não confirmam oficialmente a presença de tropas norte-coreanas no conflito. A declaração de Zelensky acontece no momento em que, pela primeira vez, um Exército estrangeiro se envolve na guerra entre Ucrânia e Rússia, iniciada em 2022. Segundo o governo ucraniano, 12 mil soldados, incluindo 500 oficiais e 3 generais, foram enviados para a província de Kursk, na Rússia, onde o exército da Ucrânia promove uma ofensiva desde agosto deste ano.
No final de dezembro, Zelensky afirmou que muitos soldados da Coreia do Norte morreram por envolvimento na guerra, acusando a Rússia de não dar proteção a esses militares e atribuindo o envio de tropas para o combate na Europa à “loucura das ditaduras”.
“Eles (norte-coreanos) têm muitas baixas. Muitas. Percebemos que o exército russo e os supervisores da Coreia do Norte não se importam com a sobrevivência desses soldados. Tudo está organizado de um jeito que torna impossível para nós capturarmos esses militares como prisioneiros”, afirmou o presidente da Ucrânia. “Os russos enviam essas tropas para os ataques com proteção mínima”.
O líder norte-coreano, Kim Jong-un, e o presidente russo, Vladimir Putin, assinaram em junho um tratado de parceria estratégica. Entre outras disposições, o texto obriga ambos os países a prestar assistência militar “sem demora” em caso de ataque a um deles, bem como a cooperar para enfrentar sanções econômicas impostas por nações ocidentais.