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Uma ditadura vai ao chão: as esperança e incertezas após ofensiva na Síria

O novo ano dirá para onde vão soprar os novos ventos no país

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 21 dez 2024, 08h00

Sem que ninguém esperasse, poucos dias antes de 2024 chegar ao fim, uma ditadura de mais de meio século desmoronou e a Síria de repente amanheceu sob um novo governo. Em ofensiva-relâmpago de onze dias, um pouco conhecido grupo rebelde, o Hayat Tahrir al-Sham (HTS), liderado por um jihadista que se declara reformado e adepto da linha pragmática, Ahmed al-­Sharaa, desceu de seu reduto no noroeste ocupando tudo no caminho e chegou a Damasco. Vendo seu Exército depor as armas, Bashar al-­Assad, déspota cruel que herdou o poder do pai, Hafez al-­Assad, fugiu com a mulher, Asma, para a Rússia. Presente nas listas de terroristas procurados do Ocidente com o codinome Abu Mohammad al-Jolani, adquirido nos tempos de adesão aos extremistas da Al Qaeda e do Estado Islâmico, Al-Sharaa instalou um primeiro-ministro provisório na Síria, mas é a cabeça do novo governo — tanto que vem mantendo contatos com os países que pediam sua prisão, entre eles os Estados Unidos. Anunciou que quer promover a união nacional e prometeu anistia, menos aos responsáveis pelas barbaridades do regime anterior.

A reação inicial à mudança foi de esperança de dias melhores dentro da Síria supostamente liberada, com moradores derrubando estátuas e rasgando retratos dos ditadores e refugiados tomando o caminho de volta para casa — entre 2014 e 2020, cerca de 6 milhões cruzaram as fronteiras, boa parte deles vivendo até hoje em barracas. Nos demais cantos, outros grupos, entre eles os curdos, aliados dos americanos a noroeste, abriram difíceis negociações sobre seu papel no futuro. Fora da Síria, o clima era de esperar para ver, inclusive por parte da Rússia e do Irã, aliados de primeira hora do presidente deposto, e da Turquia, patrocinadora de grupos rebeldes que agora cava um papel de relevância nos destinos do país. Só quem não esperou nem um minuto foi Israel. Preocupado com mais um potencial inimigo na sua porta, o primeiro-ministro Benjamin Neta­nyahu despejou bombas sobre bases e arsenais na Síria e liberou a entrada de colonos nas Colinas de Golã, território ocupado e anexado unilateralmente. O novo ano dirá para onde vão soprar os novos ventos sírios.

Publicado em VEJA de 20 de dezembro de 2024, edição nº 2924

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