Um passo à frente: a decisão na ONU sobre o plano de Trump para Gaza
O drama humanitário que se desenrola ali não acende grande esperança nos que peregrinam entre ruínas
Reuniões do Conselho de Segurança da ONU são cercadas de ritos e cortinas fechadas sempre que o assunto é de alta sensibilidade. E foi assim na segunda-feira 17, quando os diplomatas reunidos à mesa do recinto debruçado sobre as águas do Rio Hudson, em Nova York, chegaram a uma resolução saudada com doses de ufanismo como “um novo curso para o Oriente Médio”. Aprovado por treze votos, contabilizados aí os de todos os membros permanentes e rotativos, com abstenções de China e Rússia, o texto chancela passos relevantes do plano orgulhosamente apresentado pelo presidente Donald Trump, que levou a um cambaleante cessar-fogo no devastado enclave palestino, em outubro, e sinalizava para o futuro sem medidas concretas. Não que elas estejam cristalinas agora, mas ao menos o novo documento avança ao citar a formação de uma prometida “força internacional de estabilização” para fazer a segurança da estreita faixa de terra, assim como o estabelecimento de um comitê técnico composto por locais — tudo sob o guarda-chuva de um conselho de paz liderado por ele, Trump. Também há vaga menção a um horizonte que soa cada vez mais distante, o da solução dos dois Estados. Bem longe dos aposentos da ONU, a castigada população de Gaza aguarda ações palpáveis para ontem. O drama humanitário que se desenrola ali, onde 70% do território foi reduzido a escombros, um de cada quatro habitantes segue em situação de fome aguda e quase não há água potável disponível, não acende grande esperança nos que peregrinam entre ruínas. No vácuo de poder, o dia a dia é cercado da violência ainda imposta pelo Hamas e de mortes diárias pelo Exército israelense. Que as sensatas palavras proferidas em Nova York tomem contornos práticos e comecem a reconstruir prédios e vidas com a urgência que a situação exige.
Publicado em VEJA de 21 de novembro de 2025, edição nº 2971
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