Suspeito de matar CEO em Nova York é acusado de homicídio
Luigi Mangione, 26 anos, passou cinco dias foragido após supostamente assassinar o presidente da maior seguradora de saúde dos EUA

Promotores de Nova York apresentaram, nesta terça-feira, 10, uma acusação de homicídio contra o suspeito de assassinar o CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson, após cinco dias de buscas para capturar o fugitivo. A empresa é a 8ª com maior receita do mundo e dona da maior seguradora de saúde dos Estados Unidos.
O suspeito, identificado como Luigi Mangione, 26 anos, foi encontrado em Altoona, Pensilvânia, depois que entrou para comer em uma filial do McDonald’s e foi reconhecido por um cliente e um funcionário, com base nas fotos divulgadas pela polícia.
Quando abordado por dois policiais dentro do restaurante de fast-food, Mangione começou a tremer e ficou quieto, segundo os agentes contaram em entrevista coletiva. Ele usava uma máscara e estava sentado sozinho, com um laptop e uma mochila. Na delegacia, a mochila foi aberta e revelou uma “arma fantasma” preta – uma pistola montada a partir de peças de dispositivos diferentes, tornando-a indetectável – com um silenciador. Autoridades da Pensilvânia disseram que a arma, assim como roupas e uma máscara, eram semelhantes às usadas pelo assassino em Nova York.
Acusações
Mangione foi levado ao tribunal do Condado de Blair em Altoona para ouvir sua acusação. O assassinato de Thompson, 50 anos, ocorreu do lado de fora de um hotel em Manhattan na manhã da última quarta-feira 4. Ele foi baleado pelas costas e o atirador fugiu de bicicleta até o Central Park, onde pegou um táxi até uma estação de ônibus e fugiu da cidade. Investigadores ainda precisam determinar se ele tinha cúmplices, e se pretendia matar outra pessoa além do CEO da UnitedHealthcare.
Além do homicídio ele foi imputado por crimes relacionados a porte de arma e falsificação. Entre seus pertences, estavam identidades falsas e uma grande quantia em dinheiro vivo. Vários dispositivos eletrônicos também foram encontrados e encaminhados para exame da polícia.
Motivação do crime
Na mochila havia ainda um documento escrito à mão, que fala sobre “a motivação e a mentalidade” do atirador, disse a comissária de polícia de Nova York, Jessica Tisch. Embora o documento não mencionasse alvos específicos, Mangione nutria “má vontade em relação às corporações americanas”, completou Joseph Kenny, chefe de detetives da polícia nova-iorquina.
Isso se conecta com o fato de que as palavras “negar”, “defender” e “depor” foram esculpidas nas cápsulas de balas encontradas na cena do crime, uma referência ao livro de 2010 Delay, Deny, Defend: Why Insurance Companies Don’t Pay Claims and What You Can Do About It, que faz duras críticas ao setor de seguros.
O assassinato de Thompson ocorreu em meio a uma onda de frustração entre os americanos que viram seus pedidos de seguro saúde ou cuidados negados, enfrentam custos inesperados ou pagam mais por prêmios e cuidados médicos — todas tendências que estão aumentando, de acordo com dados recentes. O governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, disse em coletiva de imprensa que entendia as frustrações que alguns americanos, mas ele rejeitou a glorificação que Mangione vem aproveitando nas redes sociais.
“Na América, não matamos pessoas a sangue frio para resolver diferenças de políticas ou expressar um ponto de vista”, disse Shapiro.
Mangione se formou em uma escola particular só para meninos em Baltimore, uma cidade em Maryland, como orador da turma em 2016. Depois, obteve dois diplomas de engenharia na Universidade da Pensilvânia, parte da prestigiosa Ivy League. Seu último endereço residencial foi registrado em Honolulu, no Havaí.