Rússia ataca Ucrânia com drones e mísseis poucas horas após encontro na Casa Branca
Ofensiva mirou infraestruturas de energia e transporte em Kremenchuk, na região de Poltava; mais de 1.400 residências e de 100 empresas ficaram sem luz

Poucas horas depois de líderes europeus e o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, serem recebidos na Casa Branca pelo presidente americano, Donald Trump, a Rússia atacou a Ucrânia com cerca de 270 drones e 10 mísseis, anunciaram autoridades ucranianas, nesta terça-feira, 19. A ofensiva sinaliza que o líder russo, Vladimir Putin, deseja o “oposto da paz: mais ataques e destruição”, escreveu o Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, no X, antigo Twitter.
Os ataques miraram infraestruturas de energia e transporte em Kremenchuk, na região de Poltava, no centro do país. Mais de 1.400 residências e de 100 empresas ficaram sem luz como resultado, segundo o prefeito Vitalii Maletsky. Não há relatos imediatos de mortos nos bombardeios, lançados um dia após autoridades locais informarem que 14 pessoas morreram e outras dezenas ficaram feridas por bombardeios russos a cidades e vilarejos próximos à linha de frente.
“Mais uma vez, o mundo viu que Putin não quer paz — ele quer destruir a Ucrânia”, disse Maletskyi.
O prefeito também orientou moradores a não se aproximarem ou tocarem nas munições de fragmentação não detonadas pela cidade. Após a enxurrada de drones, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que atingiu uma refinaria de petróleo que abastece o exército ucraniano. Embora Kremenchuk abrigue uma refinaria, não há informações se essa foi a alvejada. Em contrapartida, um ataque de drone ucraniano durante a noite causou incêndios no telhado de um hospital na região de Volgogrado, na Rússia, e também em uma refinaria.
+ Trump diz que Putin talvez ‘não queira’ fim da guerra na Ucrânia
Futuro incerto
Em meio às críticas dos ucranianos, Trump disse nesta terça-feira, 19, que talvez Putin, “não queria um acordo” para o fim da guerra na Ucrânia. Em entrevista à emissora americana Fox News, ele prometeu que Putin enfrentará “consequências graves” se for o caso, mas amenizou a situação e afirmou que acredita que o russo está “cansado” do conflito, que avança para o seu quarto ano.
“Eu não acho que será um problema, para ser honesto, eu acho que Putin está cansado (da guerra). Eu acho que todos estão cansados, mas você nunca sabe. Vamos descobrir sobre o presidente Putin nas próximas duas semanas. É possível que ele não queira um acordo”, ponderou.
O republicano também mandou um recado a Zelensky, alertando-o de que precisará “mostrar alguma flexibilidade” nas negociações de paz. Nas últimas semanas, Trump sinalizou ao ucraniano que as tratativas podem envolver “alguma troca de territórios”, o que representa uma vitória para Putin. O presidente russo anexou ilegalmente Luhansk, Donetsk, Kherson e Zaporizhzhia há quase três anos. Quase uma década antes, ele já havia tomado a Crimeia, uma península da Ucrânia.
Nem Zelensky, nem Putin parecem dispostos a flexibilizar as reivindicações. A Rússia exige que a Ucrânia ceda 20% do seu território, incluindo as regiões de Luhansk e Donetsk, abandone a pretensão de aderir à Otan, principal aliança militar ocidental. Além disso, Putin quer que a Ucrânia se desmilitarize, uma ideia rejeitada por Zelensky, que insiste em “um forte exército ucraniano” como uma exigência imutável. O líder ucraniano também nega abrir mão de parte do país e defende o princípio da soberania, sendo apoiado por aliados europeus.
“Eu disse a ele (Putin) que vamos marcar uma reunião com o presidente Zelensky e que você e ele se encontrarão e, depois dessa reunião, se tudo der certo, tudo bem, eu liderarei e concluiremos”, explicou à Fox News. “Mas, sabe, são necessários, neste caso, dois para dançar tango. Eles precisam ter algum tipo de relacionamento. Caso contrário, estaremos apenas perdendo muito tempo. Eu não quero fazer isso. “