Presidente da Alemanha dissolve Parlamento e convoca eleições antecipadas para 23 de fevereiro
Dissolução do Bundestag estava prevista após parlamentares aprovarem moção de desconfiança do chanceler Olaf Scholz, no último dia 16

O presidente da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, dissolveu o Parlamento nesta sexta-feira, 27, e marcou novas eleições para 23 de fevereiro. A dissolução do Bundestag estava prevista após parlamentares aprovarem uma moção de desconfiança do chanceler Olaf Scholz, no último dia 16.
Em discurso em Berlim, Steinmeier disse que tomou a decisão porque ficou claro após consulta com os líderes partidários que não havia acordo entre os partidos políticos da Alemanha sobre uma maioria para um novo governo no Parlamento atual.
“É precisamente em tempos difíceis como esses que a estabilidade requer um governo capaz de agir e uma maioria confiável no Parlamento”, afirmou.
Scholz lidera um governo minoritário depois que sua impopular coalizão de três partidos entrou em colapso em 6 de novembro. A turbulência começou quando o chanceler, que pertence ao Partido Social-Democrata (de centro-esquerda), demitiu seu ministro das Finanças, Christian Lindner, do Partido Democrático Liberal (de centro-direita), depois de meses de disputa sobre como preencher um buraco multibilionário no orçamento nacional.
A legenda de Lindner, por sua vez, abandonou a coalizão, que também conta com o Partido Verde, deixando-a sem maioria parlamentar.
O Partido Social-Democrata, o Partido Democrático Liberal e o Partido Verde governavam juntos desde 2021, a primeira coalizão de três pilares em nível federal na história da Alemanha. O atrito entre as legendas se agravou nos últimos meses devido à saúde financeira do país — a maior economia da Europa deve encolher pelo segundo ano consecutivo e em meio à atual volatilidade geopolítica, com guerras na Ucrânia e no Oriente Médio.
A campanha para o novo Parlamento já se mostra engatilhada. Pesquisas colocam o partido de Scholz atrás do bloco conservador de oposição Union, liderado por Friedrich Merz. O vice-chanceler Robert Habeck, dos Verdes, o parceiro restante no governo de Scholz, também está concorrendo ao cargo mais alto — embora seu partido esteja mais atrás. Se as pesquisas recentes se confirmarem, o provável próximo governo seria liderado por Merz como chanceler, em coalizão com pelo menos outra sigla.
O partido da extrema-direita AfD, que está com forte presença nas pesquisas, nomeou Alice Weidel como sua candidata a chanceler. Weidel, no entanto, não tem chances no momento, visto que outros partidos já se recusaram a trabalhar com ela.
O sistema eleitoral da Alemanha tradicionalmente produz coligações, e as pesquisas não mostram nenhum partido nem perto de uma maioria absoluta por si só. Espera-se que a eleição seja seguida por semanas de negociações para formar um novo governo.