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O primeiro comentário de Trump sobre a relação com Brasil e América Latina

Enquanto assinava avalanche de decretos, recém-empossado presidente dos EUA deu o tom de como enxerga laços com o continente

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO Atualizado em 21 jan 2025, 13h19 - Publicado em 21 jan 2025, 09h57

Enquanto assinava cerca de uma centena de ordens executivas no dia 1 do mandato, na segunda-feira 20, o recém-empossado presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez os primeiros comentários a respeito de como enxerga as relações entre seu país e o Brasil.

Questionado por uma repórter ao assinar, com caneta de ponta grossa que ressalta a escrita, decretos relativos ao endurecimento contra imigrantes ilegais, cortes de impostos e incentivos para exploração de petróleo, sobre as relações dos Estados Unidos com o Brasil e a América Latina, ele respondeu: “São ótimas. Eles precisam de nós muito mais do que nós precisamos deles. Nós não precisamos deles, eles precisam de nós. Todo mundo precisa de nós”.

Mundo transacional

A fala foi indício contundente de como pretende levar os próximos quatro anos na Casa Branca: de maneira transacional, fazendo alianças e acordos com quem quer que o beneficie, ignorando quem não o interessa e moldando o mundo à sua imagem enquanto países tentam evitar represálias.

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Nos tempos de empresário, Trump escreveu em A Arte da Negociação que toda transação é de soma zero, com um lado perdedor e o outro, vencedor — como sempre quer ser percebido.

Se seguir nessa toada, Trump presidirá a saída do seu país da liderança do sistema internacional atual, pondo no lugar um balcão de negócios em que prevalecerá a lei do mais capaz — para Trump, claro, ninguém é páreo para os Estados Unidos. “Conquistas relevantes do pós-guerra, como a ordem mundial baseada em cooperação e multilateralismo, darão espaço a um modelo com menos regras e decisões baseadas em barganhas”, prevê Stefan Wolff, professor de segurança internacional na Universidade de Birmingham.

Impactos na política interna

Nesse cenário, o Brasil, que tem relevância marginal para os americanos, terá menos influência ainda, sobretudo agora que assume a presidência do Brics, um bloco considerado hostil a Washington, e vai sediar a conferência do clima da ONU, assunto em que o novo presidente americano joga no time adversário — e no ataque.

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“Trump será mais favorável à Argentina de Javier Milei, pela convergência de ideias ultraliberais, e com certeza inflamará grupos de direita, com consequências para a política interna brasileira”, diz Denilde Hol­zha­cker, professora de relações internacionais da ESPM.

Para atenuar esse tipo de consequência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já declarou que “não quer briga” com Trump e desejou-lhe um mandato próspero. Autoridades brasileiras também já se articulam em nível técnico com membros da nova administração americana para assegurar a saúde de investimentos no Brasil e das trocas comerciais (o país bateu recorde de exportações para os Estados Unidos no ano passado). Mas há turbulência à vista.

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