Netanyahu diz que forças de Israel ocuparão zona na Síria por tempo indeterminado
Após a queda do ditador sírio Bashar al-Assad, Israel progressivamente expandiu controle e capturou novas áreas nas Colinas de Golã

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse nesta terça-feira, 17, que as forças do seu país permanecerão por tempo indeterminado nos territórios sírios recentemente ocupados nas Colinas de Golã, após a queda do presidente sírio Bashar al-Assad.
Durante uma visita ao cume do Monte Hermon, localizado na zona das Colinas de Golã ocupada por Israel, Netanyahu declarou que seus militares ocuparão a área entre a fronteira do país com a Síria, teoricamente desmilitarizada desde um acordo em 1974, até que outro tratado “que garanta a segurança de Israel” esteja em vigor.
“Isso me deixa nostálgico. Eu estava aqui há 53 anos com meus soldados em uma patrulha das Forças de Defesa de Israel”, disse o premiê durante a visita. “O lugar não mudou, é o mesmo lugar, mas sua importância para a segurança de Israel só cresceu nos últimos anos, e especialmente nas últimas semanas, com os eventos dramáticos que estão acontecendo aqui abaixo de nós, na Síria.”
O gabinete de Netanyahu afirmou que a visita à “serra do Hermon” contou com a presença do ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, do chefe do Estado-Maior das FDI, Herzi Halevi, e de militares de alto-escalão. Eles revisaram a presença das tropas na área e “e definiram diretrizes para o futuro”.
Controle israelense
A visita de Netanyahu ocorre dois dias após o governo de Israel aprovar um plano para expandir os assentamentos israelenses nas Colinas de Golã, alegando que agiu “à luz da guerra e da nova linha de frente que a Síria enfrenta”.
Após o desmantelamento do regime ditatorial de Assad por rebeldes, em 7 de dezembro, Israel progressivamente expandiu o controle nas Colinas de Golã e capturou novas áreas da região, incluindo o cume do Monte Hermon, numa suposta medida temporária para garantir a segurança do país.
Israel alega que as resoluções das Nações Unidas que definiram o local como uma zona desmilitarizada não têm mais validade após a tomada do poder pelos rebeldes na Síria, visto que os grupos que assumiram o controle do país não são signatários do tratado.
Na semana passada, o ministro da Defesa de Netanyahu, Israel Katz, ordenou que as tropas do país se preparem para permanecer no Monte Hermon durante o inverno do Hemisfério Norte, que termina em março de 2025.
A equipe de Netanyahu não especificou se as regiões visitadas na terça-feira haviam sido as capturadas neste mês, ou se falava apenas das ocupadas, e posteriormente anexadas por Israel, após a Guerra dos Seis Dias, em 1967.
No conflito há quase 50 anos, a Faixa de Gaza, a Cisjordânia, a Península do Sinai, Jerusalém Oriental e as Colinas de Golã foram anexadas. Os soldados israelenses, contudo, deixaram Gaza em 2005, após 38 anos de ocupação. Até então, cerca de 8.500 judeus viviam no local.