Israel adia liberação de palestinos presos após confusão em soltura de reféns do Hamas
Em Khan Younis, no sul de Gaza, cativos foram arrastados por uma multidão ladeada por militantes armados; Crise põe em risco acordo de cessar-fogo

O governo de Israel comunicou nesta quinta-feira, 30, que decidiu adiar a libertação de 110 prisioneiros palestinos em resposta ao que o primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, chamou de “cenas horríveis” em na entrega de reféns que ocorreu pela manhã em Gaza.
Israel deveria libertar palestinos detidos em prisões do país nesta quinta-feira como parte do cessar-fogo no enclave.
“O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, junto com o ministro da Defesa Yisrael Katz, ordenou o atraso na libertação dos terroristas programados para serem libertados hoje, até que a saída segura de nossos reféns seja garantida nos próximos dias”, disse o porta-voz do governo, Omer Dostri, em comunicado.
Dostri acrescentou que autoridades em Tel Aviv exigem que os mediadores do acordo de trégua assegurem essa garantia.
O que aconteceu?
Sete dos oito reféns libertados nesta quinta-feira foram entregues a uma equipe da Cruz Vermelha em Khan Younis, no sul de Gaza. Vídeos da cena mostraram que eles foram arrastados por uma multidão de pessoas, ladeada por militantes armados do Hamas e da Jihad Islâmica Palestina. Por isso, os carros da Cruz Vermelha ficaram travados.
Netanyahu descreveu as cenas como “chocantes”.
“Esta é uma prova adicional da brutalidade inconcebível da organização terrorista Hamas”, disse ele em uma declaração. “Exijo que os mediadores se certifiquem de que tais cenas terríveis não se repitam e garantam a segurança de nossos reféns”.
A israelense Agam Berger, uma militar de 20 anos destacada perto do território palestino e sequestrada pelo Hamas no ataque de 7 de outubro de 2023, foi a primeira libertada desta quinta – mas no norte de Gaza, em uma cena muito mais silenciosa.

O Gabinete de Imprensa para Prisioneiros do Hamas disse que esperava que os 110 libertados na quinta-feira incluíssem 30 crianças, 32 prisioneiros condenados à prisão perpétua e 48 prisioneiros com sentenças altas.
Esta é a terceira troca de reféns desde o início da trégua no enclave, em 19 de janeiro, que pausou mais de 15 meses de hostilidades que deixaram a Faixa de Gaza em ruínas. A confusão, porém, coloca em risco o cessar-fogo, já instável.