Hungria acusa Ucrânia de atacar oleoduto russo que abastecia país
Chanceler ucraniano não confirmou nem negou caso, mas afirmou que Budapeste poderia 'enviar reclamações' a Moscou

O fornecimento de petróleo bruto russo para a Hungria e a Eslováquia foi interrompido nesta segunda-feira, 18, informaram autoridades de ambos os países, enquanto o chanceler húngaro culpou a Ucrânia por ataques à parte da rede do oleoduto Druzhba, um dos mais longos do mundo. O caso se dá em meio à visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e líderes europeus a Washington, onde o presidente americano, Donald Trump, deve pressionar Kiev a aceitar um acordo de paz com a Rússia.
Em publicação nas redes sociais, o ministro das Relações Exteriores da Hungria, Peter Szijjártó, disse ter conversado com o vice-ministro da Energia russo, Pavel Sorokin, que lhe informou que especialistas estavam trabalhando para restaurar a situação decorrente de um ataque, embora ainda não esteja claro quando o fornecimento será retomado.
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“Por 3,5 anos, Bruxelas e Kiev tentaram arrastar a Hungria para a guerra na Ucrânia. Esses repetidos ataques ucranianos ao nosso fornecimento de energia atendem ao mesmo propósito”, disse Szijjártó no X. “Deixem-me ser claro: esta não é a nossa guerra. Não temos nada a ver com ela e, enquanto estivermos no comando, a Hungria ficará de fora”.
O governo do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, é um dos únicos pró-Rússia no bloco europeu. O país foi o único membro da União Europeia a não assinar uma declaração de apoio a Kiev antes do encontro do presidente dos EUA, Donald Trump, no Alasca, com o presidente russo, Vladimir Putin, na semana passada, e se opõe às ambições de Kiev de se juntar ao bloco.
Em resposta à acusação, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sybiha, não confirmou nem negou um ataque, mas escreveu no X que a Hungria “agora pode enviar reclamações” a Moscou, não a Kiev.
“Foi a Rússia, não a Ucrânia, que começou esta guerra e se recusa a encerrá-la. Há anos a Hungria ouve que Moscou é um parceiro pouco confiável. Apesar disso, a Hungria tem feito todos os esforços para manter sua dependência da Rússia”, disse o chanceler ucraniano.
A União Europeia proibiu a maioria das importações de petróleo russo após a invasão da Ucrânia por Moscou em 2022, mas isentou o oleoduto Druzhba, que atualmente abastece a Hungria e a Eslováquia. A República Tcheca também dependia do oleoduto russo, mas no início deste ano encerrou as entregas após se conectar a um oleoduto separado na Itália.
De acordo com dados do governo russo, a Rússia forneceu 4,78 milhões de toneladas métricas, ou cerca de 95.000 barris por dia, de petróleo para a Hungria via Druzhba no ano passado.
A operadora eslovaca de oleodutos, Transpetrol, confirmou a interrupção do fornecimento de petróleo para a Eslováquia através do oleoduto Druzhba.
“Nossa empresa não tem mais informações sobre o motivo da suspensão, que se dá fora do território da República Eslovaca. O transporte de petróleo pelo território eslovaco está garantido e sendo realizado de acordo com o plano de bombeamento”, afirmou a empresa.
A suspensão das entregas de petróleo ocorre após uma paralisação temporária na semana passada, quando militares ucranianos disseram que seus drones atingiram uma estação de bombeamento de petróleo na região russa de Bryansk, onde o oleoduto Druzhba se divide em três segmentos, um dos quais fornece petróleo russo para a Hungria.