De olho em Trump, Lula reúne Brics para unificar posição sobre tarifaço, COP e multilateralismo
Bloco é composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia
O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) comanda nesta segunda-feira, 8, um encontro virtual do Brics, que reúne as principais economias emergentes. A reunião foi convocada pelo governo brasileiro, que ocupa a presidência rotativa do bloco composto por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Irã e Indonésia.
Entre um dos assuntos proeminentes da cúpula, está o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em julho, os EUA anunciaram uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros impostas pelos EUA como retaliação à “caça às bruxas”, como definiu o republicano, conduzida pelo governo Lula e pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. No mesmo dia, sancionaram o ministro Alexandre de Moares, do STF, através da Lei Magnitsky.
Antes disso, Trump já havia ameaçado impor uma tarifa adicional de 10% a ‘qualquer país que se alinhar às políticas antiamericanas do Brics’. Em agosto, aplicou uma taxa de 50% contra bens da Índia, outro membro do Brics, por comprar petróleo russo. Em paralelo, a guerra comercial entre China e EUA está congelada por um acordo que possibilitou uma pausa — inicialmente, de apenas 90 dias, mas recentemente estendida para mais 90 dias pelo líder americano — nas hostilidades tarifárias.
Espera-se que o petista reitere a soberania dos países do Brics no encontro remoto nesta segunda. A reunião, que ocorre dois meses após a cúpula no Rio de Janeiro, deve discutir questões relacionadas ao multilateralismo, podendo abranger desde guerra na Ucrânia a reformas na Organização das Nações Unidas (ONU) e na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Acredita-se que o presidente brasileiro também reforçará o convite ao membros do Brics a COP30, alvo de críticas devido à crise de hospedagem em Belém, no Pará. O maior evento mundial sobre mudanças climáticas acontecerá na cidade amazônica em novembro. Mas a alta nos preços de hotéis e Airbnbs tem levado a dúvidas sobre a quantidade de delegações que participarão do encontro — no final de agosto, somente 47 das 196 haviam confirmado presença.







